Volume de frutas exportadas do Brasil para a Europa cresce 19% em 2025 e expectativa é de que acordo com UE amplie esse mercado nos próximos anos

Publicado em 15/01/2026 10:43
No ano passado, 79% das frutas brasileiras exportadas tiveram como destino a União Europeia, com tarifas que variaram entre 4% e 14%; redução e extinção dessas tarifas vão permitir maior abertura aos produtos nacionais

As exportações de manga, melão, limão, melancia, uva e mamão do Brasil para a Europa cresceram 12,8% em valor e 19,1% em volume em 2025 em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). A expectativa é de que esses números sejam ampliados com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que deve ser assinado entre os blocos no sábado, dia 17, no Paraguai. Negociado há pelo menos 25 anos, o acordo vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens, inclusive produtos agrícolas e alimentos frescos.

“O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma a engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil, Patrícia Cesarino.

Em números totais, as exportações do Brasil para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, em relação a 2024, segundo dados do Midic. No ano passado, 79% das frutas exportadas do Brasil tiveram como destino a União Europeia, com tarifas que variaram entre 4% e 14%. A redução e extinção dessas tarifas vão permitir uma maior abertura aos produtos brasileiros.

“Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, afirma a executiva da Ascenza Brasil.

A estimativa da Apex é de que o faturamento da fruticultura aumente 40% e alcance o valor de US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, gerando receita de cerca de US$ 1,3 bilhão. Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão foram as frutas mais exportadas para a Europa no ano passado. Elas somaram US$ 967 milhões em receita, ante US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou para a Europa 949 mil toneladas dessas seis frutas no ano passado e 796,6 mil toneladas em 2024.

As frutas com melhores resultados na exportação do Brasil para a Europa no ano passado foram o melão e a manga. Os agricultores brasileiros enviaram para o continente europeu 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) no ano passado. Já a melancia obteve o melhor desempenho em 2025, em relação a 2024, com alta de 44,3% em volume (115,8 mil toneladas em 2024 e 167,1 mil toneladas em 2025) e de 60,5% na receita (US$ 68,4 milhões em 2024 e US$ 109,9 milhões em 2025).

O café, outro importante produto agrícola exportado pelo Brasil à Europa, teve bom desempenho em receita, mas recuou em volume. Os cafeicultores registraram alta de 34,2% do valor exportado, de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. Em volume, a exportação caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado. A expectativa para este ano é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa continua sendo um mercado-chave do café, com a Alemanha e a Itália entre os principais importadores.

“Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul--União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.

Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada com a entrada em vigor do acordo. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de 7 anos. Mamão e manga já têm zeradas as tarifas de entrada na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem na importação dessas frutas do Brasil.

Os principais concorrentes do Brasil nos envios à UE (como Peru, Chile e México) já são isentos de tarifas para exportação de frutas, o que torna o acordo fundamental para nivelar as condições de competição.

Fonte: Ascenza Brasil

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