Milho cai em Chicago nesta 4ª, mas B3 reage e produtor segura oferta no Brasil

Publicado em 16/09/2026 17:41
Petróleo e estoques elevados de etanol pressionam CBOT

Os preços do milho encerraram a quarta-feira (16) pressionado na Bolsa de Chicago, mas recuperando o fôlego e terminando o dia com leves ganhos na B3. Na CBOT, os futuros do cereal recuaram depois dos ganhos registrados na sessão anterior. O dezembro/26 foi a US$ 5,34 e o março a US$ 5,48 por bushel. 

Entre os fundamentos acompanhados pelo mercado norte-americano estão os novos números da produção de etanol dos Estados Unidos. Segundo a EIA (Administração de Informação de Energia), a produção ficou em 1,099 milhão de barris por dia na última semana, estável na comparação semanal e 44 mil barris/dia acima do mesmo período do ano passado.

A produção firme segue garantindo demanda importante pelo milho norte-americano. Por outro lado, os estoques de etanol avançaram para 25,22 milhões de barris, maior volume desde maio, crescendo 33 mil barris na semana e 2,618 milhões de barris frente ao ano anterior. Assim, apesar do consumo consistente do cereal pela indústria, o nível elevado dos estoques limita parte do suporte às cotações.

A demanda externa por etanol americano, porém, continua mostrando força. Dados divulgados nesta quarta apontam que as exportações dos Estados Unidos seguem acima do ritmo recorde do ano anterior, adicionando um componente positivo ao quadro de consumo.

Além do setor do etanol, o mercado do milho foi pressionado ainda pela queda do petróleo. Os futuros do brent fecharam a quarta-feira perdendo quase 3% - depois de recuar mais de 4% ao longo do dia - e o WTI, mais de 3% Os futuros da commodity realizaram lucros após os ganhos fortes dos últimos dias e, mesmo assim, ainda seguem acima dos US$ 100,00 por barril. 

B3 e mercado brasileiro

Na B3, o milho também operou predominantemente no campo negativo nesta quarta-feira, acompanhando parcialmente a pressão externa. O fechamento do dia, porém, foi misto para os futuros do cerel negociados na bolsa nacional. O janeiro/27 fechou com R$ 80,15 e o março com R$ 81,15 por saca. 

No mercado físico, entretanto, o cenário segue marcado principalmente pela baixa liquidez e pela resistência dos produtores em ampliar as vendas.

Segundo informações da Agrinvest Commodities, algumas praças permanecem praticamente paradas, enquanto aparecem ofertas pontuais para setembro. Em regiões de Mato Grosso, como Lucas do Rio Verde e Sorriso, as referências ficam próximas dos R$ 51,00 por saca, mas sem estimular uma presença mais intensa dos vendedores.

Os negócios continuam concentrados principalmente entre produtores que precisam liberar espaço de armazenagem, enquanto os demais permanecem mais retraídos. Levantamentos desta quarta-feira também mostram o mercado disponível de Mato Grosso próximo de R$ 49,00 em Lucas do Rio Verde e acima de R$ 52,00 em outras importantes regiões produtoras do estado.

Assim, a pressão das bolsas encontra resistência no físico brasileiro, onde a menor disposição de venda ajuda a limitar recuos mais expressivos. A diferença entre as pedidas dos produtores e as ofertas dos compradores continua sendo um dos principais entraves para novos negócios.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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