Royal Rural: Petróleo cai perto de 4% e pesa sobre soja e milho em Chicago

Risco continua existindo, mas a possibilidade de faltar petróleo no curto prazo ficou um pouco menor
Publicado em 16/09/2026 12:49

Por Pedro Gomes

O petróleo está caindo forte nesta quarta-feira, perto de 4%, e o movimento ficou bem mais pesado depois das 11h30. O ponto importante é que não apareceu uma única notícia derrubando o barril. O mercado começou a juntar várias coisas ao mesmo tempo e foi tirando parte daquele prêmio enorme de guerra que colocou ontem.

Mais cedo, por volta das 11h20, o petróleo já caía aproximadamente 2,55%. Naquele momento, o mercado já estava reagindo principalmente a uma melhora na percepção de oferta.

A Arábia Saudita começou a mostrar que consegue contornar parte dos problemas logísticos que assustaram o mercado ontem. Com dificuldades na rota de Yanbu e no oleoduto usado para escapar de Hormuz, os sauditas começaram a oferecer petróleo através de outra saída, utilizando operações próximas de Sohar, em Omã.

E isso muda bastante a leitura.

Ontem o medo era de que milhões de barris ficassem presos por um período mais longo. Hoje o mercado começou a perceber que a Arábia Saudita consegue encontrar outras formas de colocar esse petróleo para fora.

Ou seja, o risco continua existindo, mas a possibilidade de faltar petróleo no curto prazo ficou um pouco menor.

Só que depois das 11h30 entrou outro peso importante.

Os estoques oficiais de petróleo dos EUA caíram 640 mil barris, mas o mercado esperava uma retirada bem maior, de aproximadamente 1,6 milhão de barris.

Então o estoque caiu, mas caiu muito menos do que o mercado queria ver.

E ainda teve mais.

Os estoques de gasolina aumentaram cerca de 800 mil barris e os de destilados subiram aproximadamente 1,6 milhão. Ao mesmo tempo, alguns indicadores de consumo mostraram uma demanda um pouco mais fraca.

Foi aí que a queda acelerou.

Então o movimento de hoje acaba ficando bem encaixado.

Primeiro, a Arábia Saudita mostrou que consegue desviar parte das exportações por outra rota. Depois, os estoques americanos vieram mais confortáveis do que o esperado. E tudo isso aconteceu depois de uma alta muito forte ontem.

Quando um mercado sobe mais de 4% em um pregão e, no dia seguinte, começa a receber notícias menos preocupantes, muita gente que estava comprada começa a realizar lucro. Aí entram stops e a queda ganha velocidade.

Por isso o petróleo saiu de aproximadamente 2,5% de baixa antes do relatório para perto de 4% depois.

E essa queda do petróleo também começa a pesar mais sobre soja e milho em Chicago.

Nas últimas semanas, uma parte importante da sustentação dos grãos veio justamente da guerra e da alta da energia. No caso da soja, isso apareceu principalmente através do óleo de soja e da relação com biodiesel e renewable diesel. No milho, o petróleo mais caro também ajudou pelo lado do etanol e pelo aumento do prêmio de risco sobre as commodities.

Então, quando o petróleo devolve quase 4% em um único pregão, esse suporte diminui.

A soja perde parte da força que vinha do óleo, o milho perde parte do apoio vindo da energia e os dois mercados ficam mais expostos aos próprios fundamentos.

E hoje isso aparece justamente em um momento em que Chicago já vinha mais morna. Sem o petróleo ajudando e com o mercado retirando parte do prêmio de guerra, soja e milho acabam encontrando mais dificuldade para sair do campo negativo e a pressão de baixa fica maior.

E tem um detalhe importante: isso não significa que a guerra melhorou ou que o risco geopolítico desapareceu.

Hormuz continua com fluxo reduzido, a situação no Oriente Médio continua tensa e a infraestrutura energética segue vulnerável.

O que mudou hoje foi a percepção.

Ontem o mercado estava precificando falta de petróleo. Hoje começou a entender que essa falta talvez seja menor e dure menos tempo do que parecia.

E quando esse prêmio sai do petróleo, uma parte dele também acaba saindo das commodities agrícolas que vinham sendo beneficiadas por essa mesma história nas últimas semanas.

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