Mercado vira após o USDA, milho despenca em Chicago, testa mínimas desde agosto e perde quase 7% em setembro
Os preços internacionais do milho futuro encerraram a quarta-feira (30) com fortes perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), em um pregão marcado por uma brusca mudança de direção após a divulgação do relatório trimestral de estoques do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Antes da publicação dos números, os contratos ainda operavam no campo positivo. Segundo a Successful Farming, pouco antes das 9h no horário central dos Estados Unidos, o vencimento dezembro avançava 2,5 cents, cotado a US$ 5,24 por bushel.
A direção mudou completamente após o relatório. Os estoques norte-americanos vieram acima do esperado e provocaram uma rápida reprecificação das cotações ao longo da tarde.
Segundo análise da Agrinvest, a surpresa não esteve ligada a uma produção maior, já que a safra de 2025 foi revisada para baixo, mas a um uso implícito menor do cereal ao longo da temporada, principalmente no segmento de alimentação animal e residual. Com isso, o volume remanescente amplia os estoques de passagem para 2026/27 e adiciona maior folga a um balanço que vinha sendo considerado mais apertado.
A dimensão da reação ficou evidente ainda durante o pregão. A Farm Futures destacou que o contrato dezembro chegou a tocar US$ 5,0025 por bushel, menor nível intradiário desde 21 de agosto. O site também ressaltou que os estoques de milho em 1º de setembro atingiram o maior nível em sete anos, reforçando a percepção de maior disponibilidade do cereal nos Estados Unidos.
No fechamento desta quarta-feira, o vencimento dezembro/26 foi cotado a US$ 5,00 por bushel, com desvalorização de 21,25 pontos e 4,07%, o março/27 encerrou a US$ 5,15, com baixa de 20,50 pontos e 3,82%, o maio/27 terminou a US$ 5,23, recuando 19,75 pontos e 3,64%, e o julho/27 foi negociado a US$ 5,27, com perda de 18,25 pontos e 3,34%.
As perdas desta quarta-feira também aprofundaram o saldo negativo acumulado pelo milho ao longo de setembro. Na comparação com o fechamento de agosto, o dezembro/26 recuou 6,88%, o março/27 caiu 6,65%, o maio/27 perdeu 6,31% e o julho/27 acumulou baixa de 5,64%.
Mercado brasileiro
Na Bolsa Brasileira (B3), os futuros do milho também trabalharam no campo negativo ao longo desta quarta-feira, acompanhando a forte pressão vinda de Chicago após a divulgação dos números do USDA.
O movimento externo encontrou um mercado doméstico que já vinha marcado por baixa liquidez. Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, apontava um mercado lento, aparentemente abastecido e sem força nas exportações, além de destacar anúncios de importação de milho pelo Nordeste.
Nesta quarta-feira, porém, a queda observada nos futuros não encontrou a mesma disposição de baixa entre os vendedores no mercado físico. Segundo a Agrinvest, os produtores permaneceram retraídos, mantendo suas ofertas distantes das indicações dos compradores, ampliando o spread entre as pontas e limitando a liquidez.
Assim, enquanto as bolsas reagiram imediatamente à mudança provocada pelo relatório norte-americano, o mercado físico brasileiro manteve maior resistência entre os vendedores e não reproduziu, até o momento, a mesma intensidade das perdas observadas nos futuros.
No mercado físico brasileiro, as movimentações foram mistas e pontuais nesta quarta-feira. Entre as praças acompanhadas pelo Notícias Agrícolas, apenas Sorriso/MT registrou alta, enquanto foram observadas quedas em Castro/PR, Palma Sola/SC, Jataí/GO, Rio Verde/GO, Itapetininga/SP, Campinas/SP e no Porto de Santos/SP. As demais referências permaneceram estáveis ou sem cotação.
Na Bolsa Brasileira (B3), o vencimento novembro/26 encerrou esta quarta-feira cotado a R$ 72,03, com queda de 3,04%, o janeiro/27 terminou a R$ 76,50, recuando 2,94%, o março/27 fechou a R$ 78,70, com perda de 3,16%, e o maio/27 foi negociado a R$ 77,24, com baixa de 2,47%.
No acumulado de setembro, a B3 também registrou perdas entre os contratos comparáveis ao fechamento de agosto. O janeiro/27 recuou 5,44%, o março/27 caiu 5,18%, o maio/27 perdeu 4,90%, o julho/27 acumulou baixa de 2,36% e o setembro/27 cedeu 2,23%.