Milho fecha semana com perdas de até 3,10% na B3 e 1,69% em Chicago

Publicado em 16/10/2026 15:53 e atualizado em 16/10/2026 16:53
Apesar de vendas externas mais fortes nos EUA, maior oferta projetada segue pressionando preços; mercado físico brasileiro tem quedas pontuais.

Os preços internacionais do milho encerraram a sexta-feira (16) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT) e acumularam perdas em todos os principais vencimentos ao longo da semana. O mercado permaneceu pressionado pelas perspectivas de maior oferta norte-americana, mesmo diante de novos dados positivos para a demanda externa dos Estados Unidos.

O contrato dezembro/26 terminou o pregão negociado a US$ 4,7425 por bushel, com desvalorização de 3,75 pontos, equivalente a 0,78%. O março/27 recuou 4,50 pontos, para US$ 4,8650, enquanto o maio/27 perdeu 4,50 pontos e encerrou a US$ 4,9350.

Na comparação com o fechamento da sexta-feira anterior (9), o dezembro/26 acumulou queda de 1,15%, o março/27 perdeu 1,57%, o maio/27 recuou 1,69% e o julho/27 apresentou desvalorização de 1,63%.

A pressão sobre os contratos continuou associada ao relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 9 de outubro, que elevou a estimativa de produção americana para 407,28 milhões de toneladas, ante 401,33 milhões no levantamento anterior. A projeção de estoques finais também avançou, passando de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.

Nesta sexta-feira, os investidores receberam novos dados de exportação que trouxeram sinais positivos para a demanda. Segundo análise da Agrinvest, as vendas líquidas americanas de milho somaram 1,122 milhão de toneladas, volume 46% superior ao da semana anterior e 42% acima da média das últimas quatro semanas. Apesar do crescimento, o resultado ficou dentro das expectativas do mercado.

Os Estados Unidos também anunciaram uma nova venda de aproximadamente 127 mil toneladas de milho ao Japão, para entrega na temporada 2026/27, acrescentando mais um sinal de demanda externa pelo cereal.

Ainda assim, os novos negócios não foram suficientes para reverter as perdas dos contratos futuros, em um cenário no qual o mercado segue avaliando a capacidade das exportações de absorver a maior produção estimada para a safra americana.

O ambiente de fraqueza também atingiu outros cereais negociados em Chicago. Segundo informações da Reuters, os preços do trigo chegaram ao menor patamar em dois meses nesta sexta-feira, diante de sinais de recuperação das exportações russas, incluindo a ampliação dos embarques pelo Mar Báltico. Analistas também apontaram a maior disponibilidade de milho americano como um fator de pressão sobre o trigo, já que os dois cereais podem competir em determinadas aplicações na alimentação animal.

Em análise publicada nesta sexta-feira, o Farm Futures também destacou que o milho vinha operando próximo das mínimas de nove semanas, refletindo a pressão sobre os preços em meio ao avanço da colheita americana.

No Brasil, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27 também trouxe uma perspectiva de maior produção, estimada em aproximadamente 148 milhões de toneladas, reforçando a atenção do mercado às condições de oferta na próxima temporada.

B3 encerra sessão com resultados mistos, mas acumula perdas na semana

Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho encerraram a sexta-feira (16) com movimentações distintas entre os vencimentos, mas acumularam desvalorizações ao longo da semana.

O contrato novembro/26 terminou negociado a R$ 66,57 por saca, com queda diária de 0,80%, enquanto o janeiro/27 recuou 0,48%, cotado a R$ 70,92. Já o março/27 avançou 0,61%, encerrando a R$ 75,96, e o maio/27 registrou alta de 0,38%, valendo R$ 74,69.

Apesar da recuperação de parte dos vencimentos nesta sexta-feira, o balanço semanal permaneceu negativo. Na comparação com o fechamento da sexta-feira anterior (9), o novembro/26 acumulou perda de 3,10%, o janeiro/27 recuou 2,65%, o março/27 caiu 0,74% e o maio/27 apresentou desvalorização de 0,80%.

Em análise divulgada nesta sexta-feira, a Agrinvest destacou que o mercado brasileiro continua pressionado pelo cenário internacional, após o USDA elevar suas projeções de produtividade, produção e estoques de milho nos Estados Unidos. A consultoria também apontou a ampla oferta interna e o desempenho mais fraco das exportações brasileiras como fatores de pressão sobre as cotações.

A Agrinvest ressaltou, entretanto, que a semana apresentou boa liquidez no mercado físico. Já a Safras & Mercado identificou uma retração de 1,18% no preço médio nacional do milho, que passou de R$ 63,84 para R$ 63,09 por saca, em um ambiente ainda marcado pela cautela nas negociações.

Mercado físico tem baixas pontuais

No mercado físico brasileiro, o levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas nesta sexta-feira apontou estabilidade na maior parte das praças acompanhadas, com desvalorizações em Sorriso/MT, Campinas/SP e no Porto de Santos/SP.

As demais localidades com comparação disponível mantiveram suas referências anteriores, sem registro de altas no levantamento do dia.

Fonte: Notícias Agrícolas

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