Milho recua até 2,02% na B3 e perde mais de 1% em Chicago nesta terça-feira

Publicado em 27/10/2026 15:52 e atualizado em 27/10/2026 17:11
Contratos brasileiros devolvem parte dos ganhos da véspera com recuo do dólar; mercado físico registra baixas no interior, mas Porto de Paranaguá tem valorização

Os preços futuros do milho encerraram a terça-feira (27) em queda nas bolsas brasileira e norte-americana, depois de uma segunda-feira marcada pela forte valorização dos contratos da B3. No Brasil, a acomodação do dólar diante do real contribuiu para retirar parte da sustentação cambial dos preços, enquanto Chicago ampliou as perdas em um cenário de oferta elevada nos Estados Unidos e enfraquecimento recente das inspeções de exportação.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato dezembro/26 fechou cotado a US$ 4,4875 por bushel, com desvalorização de 6,25 cents, equivalente a 1,37%. O março/27 perdeu 6 cents, encerrando a US$ 4,6275 por bushel, enquanto o maio/27 recuou 6,25 cents e terminou a US$ 4,7125. O julho/27 registrou baixa de 6 cents, fechando a US$ 4,7800 por bushel.

As perdas se intensificaram ao longo do pregão. Por volta das 9h05 (horário de Brasília), o dezembro/26 recuava apenas 1 cent, negociado a US$ 4,5400. Perto do meio-dia, a desvalorização havia aumentado para 2,75 cents, antes de alcançar 6,25 cents no fechamento.

Com o resultado, o contrato dezembro/26 acumula queda de aproximadamente 1,59% em relação à sexta-feira (23), quando havia encerrado a US$ 4,5600 por bushel. Na semana anterior, o vencimento já havia perdido 3,85%.

Colheita americana acelera e exportações apresentam sinais de enfraquecimento

A entrada da safra norte-americana continua sendo um dos principais fundamentos acompanhados pelo mercado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do milho alcançou 60% da área cultivada até domingo (25), avanço de 16 pontos percentuais em uma semana.

Embora o percentual permaneça abaixo da média dos últimos cinco anos, de 66%, o avanço dos trabalhos amplia a disponibilidade do cereal no curto prazo. No relatório de oferta e demanda divulgado em 9 de outubro, o USDA estimou a produção norte-americana em aproximadamente 407 milhões de toneladas, com estoques finais projetados em cerca de 47 milhões de toneladas.

Pelo lado da demanda, as inspeções de milho para exportação dos Estados Unidos totalizaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, redução de 9,68% em relação às 692.234 toneladas da semana anterior. Na comparação anual, o volume ficou aproximadamente 49,7% abaixo do registrado em igual período de 2025.

Os números contrastam com as vendas líquidas de aproximadamente 1,53 milhão de toneladas divulgadas na semana passada, que haviam apresentado crescimento semanal de 36%. A diferença reforça a necessidade de acompanhar tanto os compromissos comerciais quanto o ritmo efetivo de embarques da produção norte-americana.

Além disso, a concorrência de outras origens permanece no radar. O adido agrícola americano em Buenos Aires projetou a safra argentina de milho 2026/27 em 62 milhões de toneladas, acima dos 55 milhões considerados oficialmente pelo USDA. Caso se confirme, a maior disponibilidade argentina poderá ampliar a disputa por compradores no comércio internacional.

B3 devolve parte dos ganhos após forte valorização do dólar

Na Bolsa Brasileira (B3), todos os vencimentos acompanhados encerraram a terça-feira em queda. O contrato novembro/26 perdeu 0,96%, fechando a R$ 66,35 por saca, enquanto o janeiro/27 recuou 1,99%, para R$ 70,40.

O março/27 apresentou a maior desvalorização entre os contratos analisados, de 2,02%, encerrando a R$ 75,78 por saca. O maio/27 caiu 1,83%, para R$ 75,25, enquanto o julho/27 perdeu 1,39%, fechando a R$ 74,65. Os vencimentos setembro e novembro de 2027 registraram baixas de 1,37% e 0,80%, respectivamente.

O movimento contrasta com o comportamento observado na segunda-feira (26), quando os contratos brasileiros registraram altas expressivas diante da disparada do dólar após as eleições presidenciais. Naquele pregão, o novembro/26 havia subido 2,23%, enquanto o março/27 avançou 2,65%.

Nesta terça-feira, o recuo da moeda norte-americana retirou parte da sustentação cambial dos preços brasileiros. Em análise de mercado, a Agrinvest destacou que a pressão sobre a B3 também esteve relacionada às perdas do milho em Chicago e no mercado europeu, após os ganhos registrados na sessão anterior.

Em entrevista ao Bom Dia Agro na segunda-feira, Eduardo Vanin, analista da Agroinvest, havia destacado que um dólar mais valorizado tende a melhorar a competitividade das exportações brasileiras e favorecer a formação dos preços em reais. O analista ressaltou, entretanto, que os efeitos sobre a comercialização dependem da intensidade e da duração dos movimentos cambiais.

A necessidade de ampliar as exportações brasileiras também continua sendo um ponto importante. O ritmo dos embarques permanece abaixo do observado no ano passado, enquanto o consumo doméstico de milho pelas indústrias de etanol e ração contribui para absorver parte da produção.

Mercado físico registra quedas no interior, mas Paranaguá avança

No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas apontou movimentações pontuais nesta terça-feira. As cotações recuaram em Ubiratã, no Paraná, e em Sorriso, no Mato Grosso, enquanto o milho disponível no Porto de Paranaguá, também no Paraná, registrou valorização.

As demais praças com indicadores disponíveis e variações informadas permaneceram estáveis, mostrando que a pressão observada nos mercados futuros não foi acompanhada por quedas generalizadas no mercado físico.

A diferença entre as movimentações do interior e do porto também reforça a importância das condições regionais de comercialização. Além das oscilações das bolsas e do câmbio, os preços disponíveis dependem da demanda local, dos custos logísticos e da competitividade das exportações.

A Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, havia destacado que mudanças favoráveis na paridade de exportação podem aparecer inicialmente nas referências portuárias, enquanto o mercado do interior tende a reagir de maneira mais gradual, diante da disponibilidade de produto e da cautela dos compradores. O comportamento desta terça-feira evidencia diferenças regionais, embora não seja suficiente, isoladamente, para confirmar essa tendência.

Com isso, o milho encerra a terça-feira pressionado nas duas bolsas, mas com comportamentos distintos no mercado físico brasileiro. Para os próximos pregões, o câmbio, a evolução da colheita americana e o desempenho da demanda internacional continuarão entre os principais fatores acompanhados pelos operadores.

Fonte: Notícias Agrícolas

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