Impacto total do choque tarifário dos EUA ainda está por vir, diz OCDE

Publicado em 23/09/2025 07:21 e atualizado em 23/09/2025 08:39

 

Por Leigh Thomas

PARIS (Reuters) - O crescimento global está se mantendo melhor do que o esperado, mas o impacto total do choque das tarifas de importação dos Estados Unidos ainda não foi sentido uma vez que o investimento em IA sustenta a atividade dos EUA por enquanto e o apoio fiscal amortece a desaceleração da China, afirmou a OCDE nesta terça-feira.

Em seu mais recente Relatório Interino de Perspectivas Econômicas, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirmou que o impacto total dos aumentos das tarifas dos EUA ainda está se desenrolando, com as empresas até agora absorvendo grande parte do choque por meio de margens mais estreitas e estoques de segurança.

Muitas empresas estocaram produtos antes dos aumentos das tarifas do governo Trump, que elevaram a taxa efetiva dos EUA sobre as importações de mercadorias para um valor estimado em 19,5% até o final de agosto - o mais alto desde 1933, no auge da Grande Depressão.

"Os efeitos totais dessas tarifas ficarão mais claros à medida que as empresas reduzirem os estoques acumulados em resposta aos anúncios de tarifas e à medida que as taxas tarifárias mais altas continuarem a ser implementadas", disse o diretor da OCDE, Mathias Cormann, em uma coletiva de imprensa.

PREVISÕES DE CRESCIMENTO DA OCDE PARA 2025 ATUALIZADAS

O crescimento econômico global deve sofrer apenas uma pequena desaceleração, de 3,3% no ano passado para 3,2% em 2025, em comparação com os 2,9% previstos pela OCDE em junho.

No entanto, a organização sediada em Paris manteve sua previsão para 2026 em 2,9%, com o impulso da formação de estoques já se dissipando e a expectativa de que tarifas mais altas pesem sobre o crescimento do investimento e do comércio.

"Aumentos adicionais nas barreiras ao comércio ou incerteza prolongada podem reduzir o crescimento, aumentando os custos de produção e pesando sobre o investimento e o consumo", disse Cormann.

A OCDE previu que o crescimento econômico dos EUA desacelerará para 1,8% em 2025 - acima dos 1,6% previstos em junho - de 2,8% do ano passado. A estimativa para 2026 agora é de 1,5%, sem alterações em relação à previsão anterior.

Um boom de investimentos em IA, apoio fiscal e cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve devem ajudar a compensar o impacto das tarifas mais altas, uma queda na imigração e cortes de funcionários federais, disse a OCDE.

Na China, o crescimento também deve desacelerar no segundo semestre do ano, à medida que a corrida para enviar as exportações antes que as tarifas dos EUA e o apoio fiscal perdem força.

No entanto, espera-se que a economia da China cresça 4,9% este ano - acima dos 4,7% de junho - antes de desacelerar para 4,4% em 2026 - revisado acima dos 4,3%.

Na zona do euro, as tensões comerciais e geopolíticas devem compensar o impulso das taxas de juros mais baixas, disse a OCDE.

A estimativa para a economia do bloco é de crescimento de 1,2% este ano - revisado de 1,0% anteriormente - e 1,0% em 2026 - de 1,2% - à medida que o aumento dos gastos públicos na Alemanha eleva o crescimento, enquanto o aperto de cinto pesa sobre a França e a Itália.

Para o Brasil, a OCDE estimou expansão de 2,3% este ano e de 1,7% em 2026, ante 2,1% e 1,6% respectivamente previstos em junho.

POLÍTICA MONETÁRIA DEVERÁ SER FROUXA

Com a desaceleração do crescimento, a OCDE disse que espera que a maioria dos principais bancos centrais reduza os custos de empréstimos ou mantenha a política monetária frouxa ao longo do próximo ano, desde que as pressões inflacionárias continuem a diminuir.

A OCDE projetou que o Federal Reserve reduzirá ainda mais os juros à medida que o mercado de trabalho enfraqueça - a menos que tarifas mais altas desencadeiem uma inflação mais ampla.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street abre em baixa com perdas em chips; Netflix recua
China classifica regras de visto dos EUA como “discriminatórias” e ameaça contramedidas
Índice de atividade econômica do BC sobe 0,1% em maio e supera expectativas
Dólar sobe ante real após EUA e Irã intensificarem ataques no Oriente Médio
Produção de aço bruto no Brasil fica praticamente estável em junho, diz Aço Brasil
China deve manter taxas de empréstimo em julho pelo 14º mês consecutivo