Índice de atividade econômica do BC sobe 0,1% em maio e supera expectativas
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Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 17 Jul (Reuters) - A atividade econômica no Brasil teve um desempenho melhor do que o esperado em maio, mesmo em meio a um cenário de perdas na agropecuária e expectativa de desaceleração da economia no restante do ano diante de uma política monetária ainda restritiva.
Em maio, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,1% na comparação com o mês anterior, mostraram dados dessazonalizados.
O resultado de maio foi melhor do que a expectativa apontada por economistas em pesquisa da Reuters de estagnação.
No entanto, o indicador mostrou enfraquecimento em relação à taxa de crescimento de 0,4% de abril, em dado revisado pelo BC depois de ter informado anteriormente ganho de 0,5%.
"O cenário observado até aqui no segundo trimestre deve ditar a tônica do ritmo de expansão da atividade no decorrer dos próximos períodos, com ganho de tração apenas gradual após o crescimento mais tímido entre abril e junho, estimado por nós em 0,4%", disse Matheus Pizzani, economista do PicPay.
Os dados do BC apontam que em maio a agropecuária pressionou a economia ao registrar queda de 1,0% sobre abril. Já a indústria e os serviços tiveram altas modestas, de 0,4% e 0,1%, respectivamente.
Dados separados do IBGE já haviam mostrado que tanto a indústria quanto varejo e serviços apresentaram resultados fracos em maio.
A produção industrial recuou 0,2% sobre abril, segundo o instituto, contra expectativa de alta. O volume de serviços, de acordo com o IBGE, também frustrou a expectativa de ganhos, com queda de 0,4% no mês, enquanto as vendas no varejo voltaram a crescer, mas abaixo do esperado, com alta de 0,1%.
"O avanço de apenas 0,1% do IBC-Br no mês, somado aos resultados mais moderados observados no comércio e nos serviços, reforça a percepção de perda de fôlego da economia após o desempenho mais forte registrado no início do ano", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA, calculando expansão de 0,5% do PIB no segundo trimestre.
No mês passado, o BC cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes à frente para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,8%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,4%, de acordo com números não dessazonalizados.
A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,99%, indo a 1,65% em 2027.
O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
(Por Camila Moreira; edição de Isabel Versiani)
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