Ibovespa fecha em alta firme com exterior positivo e balanços

Publicado em 30/07/2026 17:05 e atualizado em 30/07/2026 19:03

Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 30 Jul (Reuters) - O Ibovespa fechou a quinta-feira em alta, chegando aos 177 mil pontos nas máximas do dia, na esteira do bom humor nos mercados globais, enquanto os agentes monitoravam o calendário de resultados trimestrais de companhias estrangeiras e nacionais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,88%, a 177.158,86 pontos, na máxima do dia, após marcar 173.884,55 na mínima.

Os ganhos da bolsa brasileira acompanharam o ambiente mais favorável ao risco nos EUA, onde as bolsas fecharam em alta firme, com as ações do setor de chips disparando e a Microsoft a caminho de seu maior ganho percentual diário em 18 anos, depois que a gigante de tecnologia divulgou uma previsão excelente que amenizou os temores sobre gastos maciços em infraestrutura de IA. O índice S&P 500 encerrou com alta de 1,74%.

Já os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 1,88%, a US$89,03 por barril, enquanto os operadores avaliavam as propostas para uma coalizão marítima liderada pela Arábia Saudita com o objetivo de fortalecer a cooperação em defesa na região do Mar Vermelho.

"O pregão de hoje é, em boa medida, um espelho invertido do de ontem", destacou Eduardo Rahal, analista chefe da Levante Inside Corp, lembrando da forte aversão ao risco observada na quarta-feira por conta da intensificação dos conflitos no Oriente Médio e da leitura mais hawkish do comunicado do Federal Reserve.

"Hoje, com o Brent devolvendo parte desse prêmio geopolítico e recuando, o mercado local recompõe posições", completou Rahal.

Assim como no mercado acionário dos EUA, os balanços tiveram destaque na bolsa brasileira desta quinta, com os investidores avaliando os resultados de companhias divulgados entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, como Motiva, Ambev e Usiminas, enquanto aguardam Multiplan e Vale, que saem após o fechamento.

A agenda macroeconômica também foi observada, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou pela manhã que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 5,4%, em linha com o consenso de economistas consultados pela Reuters, sendo a mais baixa para o período na série histórica iniciada em 2012.

DESTAQUES

• PETROBRAS PN avançou 2% e PETROBRAS ON ganhou 2,19%, na contramão das perdas do petróleo no exterior.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 2,2%, BANCO DO BRASIL ON avançou 1,97%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT recuou 1,48%, em dia misto para o setor. BRADESCO PN perdeu 0,22%. O banco anunciou na quarta-feira que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital de até R$10 bilhões, com compromisso de subscrição de até R$8 bilhões pelos controladores.

• VALE ON subiu 1,39%, enquanto os investidores aguardavam os resultados da companhia, que serão divulgados após o fechamento do mercado. O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro caiu 3,31%, para US$105,80 por tonelada métrica, atingindo sua mínima desde 2 de julho de 2025.

• TOTVS ON subiu 5,74%, ficando entre as maiores altas do Ibovespa, refletindo o recuo dos juros futuros nesta quinta-feira, assim como outros papéis sensíveis às taxas, como COGNA ON, que ganhou 5,48%, e MAGAZINE LUIZA, que fechou em alta de 5,46%.

• MOTIVA ON subiu 5,16%, após registrar lucro líquido ajustado de R$663 milhões no segundo trimestre, alta de 67% sobre o desempenho do mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado na quarta-feira.

• AMBEV ON subiu 0,38%, revertendo a forte queda observada na maior parte do pregão. A empresa reportou lucro líquido de R$3,47 bilhões no segundo trimestre, um avanço de 24,5% sobre o desempenho do mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado na madrugada desta quinta-feira.

• USIMINAS caiu 9,25%, liderando as perdas do Ibovespa. A companhia teve lucro líquido de R$428,2 milhões no segundo trimestre de 2026, em comparação com lucro de R$127,6 milhões registrado no mesmo período um ano antes, conforme publicação ao mercado.

(Por Igor Sodré, edição de Pedro Fonseca e Alberto Alerigi Jr.)

Fonte: Reuters

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