Ibovespa dispara mais de 3%, renova máximas e encosta em 172 mil pontos com estrangeiros
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 21 Jan (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte alta nesta quarta-feira, renovando máximas e encostando nos 172 mil pontos, em movimento puxado principalmente por fluxo estrangeiro, com ações blue chips como Itaú Unibanco e Vale renovando seus topos históricos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,33%, a 171.816,67 pontos, novo recorde de fechamento, perto do topo da sessão, a 171.969,01, nova máxima intradia.
Apenas nesta sessão, foram superadas pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos. A mínima do pregão foi registrada na abertura, quando o Ibovespa marcou 166.277,91 pontos.
O volume financeiro somou R$43,32 bilhões, bem acima da média do ano, de R$28,99 bilhões.
De acordo com analistas e estrategistas, fatores globais seguem como protagonistas para o desempenho positivo do Ibovespa, com destaque para realocação de capital de mercados desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, para emergentes.
Esse movimento, que também se observou no ano passado, reflete uma busca por diversificação geográfica diante do aumento das tensões geopolíticas e preocupações em torno da política comercial dos Estados Unidos.
Apenas em 2026, o Ibovespa já acumula alta de 6,64%. De acordo com dados da B3, no ano, a bolsa registra uma entrada líquida de estrangeiros de R$7,6 bilhões até o dia 19.
Para estrategistas do JPMorgan, 2026 pode ser mais um ano com fortes fluxos de capital externo para as ações brasileiras. Além dos fatores externos, citam que o ciclo de afrouxamento monetário esperado no Brasil adiciona outra camada de otimismo.
"Há uma grande dependência dessa valorização pelo fluxo estrangeiro significativo ingressando em nosso país", disse o assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser Investimentos.
Luersen reforçou que questões globais macro, em especial geopolíticas, têm promovido uma saída significativa de capital da Europa e dos EUA. "Esse movimento de saída para mercados emergentes começou e veio para ficar", acrescentou.
O Ibovespa acelerou a alta à tarde, acompanhando a melhora dos pregões em Wall Street, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar abruptamente das ameaças de impor tarifas como alavanca para tomar a Groenlândia.
Na sua plataforma Truth Social, Trump citou o arcabouço de um futuro acordo com relação à Groenlândia e à região do Ártico, acrescentando que, assim, não irá impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de mais de 1%.
DESTAQUES
- VALE ON avançou 3,02%, para o recorde de fechamento de R$82,50, mesmo em sessão de fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou a sessão do dia com queda de 0,32%. Números de produção e preços da mineradora Rio Tinto também eram analisados. A Vale reporta seus dados de produção e vendas no começo da próxima semana.
- ITAÚ UNIBANCO PN disparou 4,38%, fechando na máxima histórica de R$41,67. Também renovaram topos de fechamento BRADESCO PN, com alta de 3,08%, a R$19,76, BTG PACTUAL UNIT, com elevação de 4,77%, a R$57,73, e SANTANDER BRASIL UNIT, com ganho de 3,02%, a R$34,57. BANCO DO BRASIL ON subiu 3,99%, mas sem conseguir renovar suas máximas históricas de maio de 2025.
- PETROBRAS PN subiu 3,53%, embalada pelo apetite na bolsa paulista, em dia de alta modesta dos preços do petróleo no exterior - o barril do Brent subiu apenas 0,49%. PETROBRAS ON saltou 4,59%.
- COGNA ON disparou 10,96%, seguida pela YDUQS ON, que se valorizou 8,91%, deixando para trás as preocupações envolvendo o resultado do Enamed. Analistas do BTG Pactual afirmaram que o setor está na era de "cash cow", com as empresas em modo de colheita, obtendo frutos das iniciativas de eficiência, reduzindo operações com disciplina de investimentos e preservação de caixa.
- TIM ON caiu 1,11%, única queda do Ibovespa no dia, tendo de pano de fundo relatório de analistas do Citi cortando a recomendação das ações para neutra e o preço-alvo dos papéis de R$27 para R$25. Entre os argumentos, eles citaram que, embora as tendências de fluxo de caixa continuem evoluindo de forma positiva, estão menos construtivos quanto ao cenário de concorrência no mercado de telefonia móvel.
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