Dólar fecha em alta no Brasil com ambiente externo negativo
Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - O dólar fechou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente externo mais avesso ao risco, onde a divisa norte-americana reverteu as perdas da véspera e os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir.
O dólar à vista fechou em alta de 0,31%, aos R$5,1937 na venda.
Às 17h36, o contrato de dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- subia 0,30% na B3, aos R$5,2080.
No mesmo horário, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,05%, a 98,880.
O principal vetor dos movimentos dos mercados globais nesta quinta-feira foi o mercado de títulos dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o anúncio do Tesouro dos EUA de que dobrará o volume das recompras de títulos de prazo mais longo no próximo trimestre para pelo menos US$4 bilhões fez os rendimentos caírem fortemente, principalmente nos títulos mais longos.
Esse movimento fez o dólar enfraquecer perante a maioria das divisas globais, favorecendo o real.
Contudo, todo esse movimento perdeu força nesta quinta, com os rendimentos voltando a exibir tendência de alta, assim como o dólar, em meio a dúvidas dos investidores em relação à durabilidade do efeito das medidas anunciadas e preocupações em relação à dívida pública americana.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou no início da tarde que pode aumentar novamente o volume de títulos que o governo irá recomprar. O comentário arrefeceu parte da alta dos rendimentos dos Treasuries, mas sem grande impacto.
Em outra frente, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de 2,36%, para US$93,78 o barril, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre retaliações contra nações que apoiam o Irã, diminuindo ainda mais o apetite por ativos de risco no mercado global.
"A combinação entre petróleo em alta, rendimentos americanos elevados e maior aversão ao risco reduziu o espaço para valorização dos ativos emergentes", disse Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil.
(Por Igor Sodré; edição de Isabel Versiani)