Taxas dos DIs fecham em baixa após pesquisa indicar distância menor entre Lula e Flávio

Publicado em 02/09/2026 16:45 e atualizado em 02/09/2026 17:39

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 2 Set (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com baixas firmes em toda a curva, após uma nova pesquisa eleitoral indicar redução numérica da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Pela manhã, números da indústria também trouxeram um viés de baixa para as taxas, ao reforçarem a percepção de desaceleração da economia brasileira.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,675%, com baixa de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,751% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,385%, com recuo de 13 pontos-base ante 14,511%.

Divulgada no meio da manhã, a nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% de Flávio Bolsonaro, em empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora.

No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%.

Logo após a divulgação da pesquisa, as taxas dos DIs renovaram mínimas sequenciais, assim como o dólar ante o real, enquanto o Ibovespa atingiu máximas, em uma reação positiva dos agentes.

De modo geral, Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm se refletido positivamente nos ativos.

Antes mesmo da pesquisa, o viés para a curva brasileira era de baixa. Isso porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial no país cresceu 0,2% em julho ante o mês anterior e cedeu 0,5% em relação a julho do ano passado. Os resultados foram piores que as projeções dos economistas em pesquisa da Reuters, de crescimento de 0,6% no mês e estabilidade na base anual.

O resultado da indústria em julho soma-se a outros indicadores recentes que reforçam a percepção de desaceleração da economia brasileira, corroborando a expectativa de novos cortes da Selic pelo Banco Central no curto prazo. Na terça-feira, o IBGE informou que Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre, com retração do consumo das famílias.

Em meio ao cenário de disputa eleitoral acirrada e à desaceleração econômica, a curva de juros precificava na tarde desta quarta-feira cerca de 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em setembro. Para o encontro de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a curva precificava cerca de 60% de chance de novo corte de 25 pontos-base, contra 40% de probabilidade de manutenção.

Atualmente a Selic está em 14% ao ano.

“Eu não troquei meu call para novembro, continuo esperando estabilidade. Acho que o BC deve parar em novembro e depois voltar a cortar a Selic na sequência”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.

“Mas novembro depende muito da eleição. Se um cenário mais fiscalista se consolidar em outubro, o mercado pode até precificar um corte maior do que 25 pontos-base em novembro”, acrescentou.

Nesta quarta-feira, os agentes também estiveram atentos aos desdobramentos do noticiário sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso. Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador.

Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que um dos pontos centrais será medir o impacto do escândalo envolvendo Moraes nas pesquisas eleitorais.

Ainda no cenário eleitoral, uma das bandeiras de Lula na campanha, a proposta de fim da escala de trabalho 6x1, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante a tarde e agora segue para o plenário.

No exterior, após a baixa vista mais cedo, o petróleo Brent voltou a subir nesta quarta-feira em meio ao conflito no Oriente Médio, enquanto os rendimentos dos Treasuries exibiam variações modestas.

As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.

Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- mostrava estabilidade, a 4,792%.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quarta-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 13,57 13,59 -0,02

JAN/28 13,675 13,751 -0,076

JAN/29 13,98 14,114 -0,134

JAN/30 14,17 14,319 -0,149

JAN/31 14,25 14,403 -0,153

JAN/35 14,385 14,511 -0,126

(Edição de Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

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