Dólar sobe ao maior valor em seis meses influenciado por exterior e eleição
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 28 Set (Reuters) - O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real e atingiu o maior valor em seis meses, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes e com investidores também reagindo a duas novas pesquisas eleitorais no Brasil.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,2264, o maior valor de fechamento desde 30 de março, quando fechou em R$5,2461. No ano, no entanto, a divisa norte-americana ainda apresenta queda de 4,78%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,67% na B3, aos R$5,2285.
A segunda-feira foi marcada pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado no fim de semana um acordo.
Nos mercados de moedas, isso se traduziu no avanço do dólar ante divisas de emergentes como o peso colombiano, o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real.
No Brasil, o movimento encontrou suporte ainda em duas novas pesquisas sobre a eleição presidencial de domingo. Levantamento BTG/Nexus mostrou aumento da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno.
Lula tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio, de acordo com a pesquisa. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois ainda estão em empate técnico. No levantamento anterior, porém, Lula tinha os mesmos 46% e Flávio somava 45%.
Já a pesquisa Quaest mostrou Lula e Flávio empatados no segundo turno com 42% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Uma semana antes, Flávio tinha 42% e Lula somava 41%.
No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias desfavoráveis a Flávio -- como a ampliação da vantagem numérica de Lula no segundo turno da pesquisa BTG/Nexus -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar.
Após marcar a cotação mínima de R$5,1917 (+0,16%) às 9h21, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2266 (+0,83%) às 12h33, quando as duas pesquisas já haviam sido divulgadas.
Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, o avanço do dólar ante o real nesta segunda-feira ocorreu principalmente em função do exterior.
“A semana começou com viés de alta para o dólar globalmente, pressionando o real aqui”, comentou. “Na sequência, veio o cenário eleitoral para contribuir com essa compra de dólares.”
Mais cedo, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$5,055 bilhões em agosto, um pouco acima do saldo negativo de US$4,9 bilhões projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Na outra ponta, o investimento direto no país (IDP) atingiu US$7,396 bilhões, contra US$6,9 bilhões projetados.
No boletim Focus divulgado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20. Já a projeção para a inflação em 2026 passou de 4,92% para 4,99% e em 2027 foi de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa básica Selic estão em 13,50% e 12,00% para este e o próximo ano, respectivamente. A taxa básica está atualmente em 13,75%. O dólar à vista encerrou a sessão de sexta-feira com baixa de 0,19%, aos R$5,1834.
Às 17h04, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,05%, a 101,190.
(Edição de Pedro Fonseca)