Dólar supera R$5,40 em dia de ruído sobre vistos de brasileiros e pesquisa eleitoral
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 14 Jan (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, novamente acima dos R$5,40, na contramão do recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão marcada pela suspensão do processamento dos vistos de brasileiros pelos EUA e por nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest.
O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,47%, aos R$5,4012. No ano, a divisa acumula queda de 1,60%.
Às 17h22, o contrato de dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- subia 0,37% na B3, aos R$5,4160.
No início do dia a moeda norte-americana oscilou em torno da estabilidade no Brasil, com investidores à espera da divulgação de dados da economia norte-americana e de nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral.
Divulgada pouco depois das 10h, a pesquisa mostrou que, em um dos cenários estimulados para o primeiro turno, Lula tem 36% das intenções de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 23% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 9%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Nas simulações de segundo turno, Lula vence Tarcísio por 44% a 39% e supera Flávio por 45% a 38%.
A pesquisa mostrou ainda que a avaliação do governo Lula variou dentro da margem de erro do levantamento. O percentual dos que têm uma avaliação negativa do governo passou de 38% para 39%, enquanto os que enxergam a gestão positivamente foram de 34% para 32%.
O levantamento trouxe pouca volatilidade para o dólar, que seguiu próximo da estabilidade até que a Fox News informou, no fim da manhã, que os Estados Unidos vão suspender o processamento de vistos para brasileiros, dentro de uma medida mais ampla que atinge ao todo 75 países. A notícia foi mal-recebida.
Após marcar a cotação mínima de R$5,3594 (-0,31%) às 10h45 -- já após a pesquisa Genial/Quaest --, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,4239 (+0,89%) às 11h10, em uma reação imediata à notícia sobre os vistos. Perto deste horário, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de alguns prazos também marcaram picos.
“Mesmo que não afete o fluxo (de dólares para o Brasil), a história dos vistos pegou no câmbio”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Passado o impacto inicial, o dólar devolveu os ganhos e voltou a oscilar abaixo dos R$5,40. Durante a tarde, no entanto, a moeda recuperou algum fôlego, até encerrar pouco acima dos R$5,40.
O movimento contrastou com o exterior, onde o dólar cedia ante boa parte dos pares do real, como o peso chileno e o peso mexicano, além de ceder em relação às moedas fortes.
Às 17h17, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,09%, a 99,100. Um dos destaques era o recuo de 0,38% do dólar ante o iene, para 158,53 ienes, após autoridades japonesas ameaçarem intervir no mercado para sustentar sua divisa.
As tensões geopolíticas envolvendo a Groenlândia e o Irã também seguiram no radar, assim como declarações de autoridades do Federal Reserve sobre o futuro dos juros nos EUA.
No fim da manhã o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.
(Edição de Isabel Versiani)
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