Dólar tem maior alta desde dezembro com escalada do conflito entre EUA e Irã
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 3 Mar (Reuters) - Após se aproximar dos R$5,35 no início da tarde, o dólar perdeu força no Brasil e fechou a terça-feira em patamar mais baixo, mas ainda assim com forte alta ante o real, na esteira do acirramento do conflito entre EUA e Irã.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,91%, aos R$5,2639. Foi o maior avanço percentual em um único dia desde os 2,34% de 5 de dezembro do ano passado -- dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi lançado como candidato à Presidência.
Em 2026, o dólar à vista acumula agora queda de 4,10%.
Às 17h21, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,67% na B3, aos R$5,3035.
Na segunda-feira uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o país pretende disparar contra qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz -- onde circulam diariamente cerca de 20% do petróleo mundial.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que é “tarde demais” para negociar com o Irã, reforçando a perspectiva de continuidade do conflito iniciado no sábado, que envolve Israel do lado norte-americano.
A reação nos mercados globais foi de alta forte do petróleo e fuga dos investidores de ativos mais arriscados, como ações, moedas e títulos de países emergentes, em meio aos receios de que o conflito possa reduzir o crescimento e acelerar a inflação.
No Brasil, o dólar à vista marcou a cotação máxima de R$5,3444 (+3,47%) às 12h20, em um momento em que a bolsa brasileira estava nas mínimas do dia.
Profissionais consultados pela Reuters afirmaram que a disparada de ordens de stop loss (parada de perdas) no mercado de câmbio intensificou em vários momentos do dia o avanço do dólar, com investidores vendidos em dólar (esperando a queda das cotações) fechando posições.
O avanço do dólar ante o real esteve em sintonia com a disparada da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano.
“O investidor precisa cobrir posição lá fora, (então) ‘vende emergente’. É o movimento clássico de aversão ao risco”, comentou durante a tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.
“O mercado está revertendo toda aquela inclinação a risco que trouxe o dólar para R$5,13. Mas espero que seja transitório”, acrescentou.
Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio ainda são bastante incertos, o que dificulta quaisquer projeções sobre o dólar e as taxas de juros no curto prazo. No mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), as taxas dispararam nesta terça-feira, na esteira da busca dos investidores por ativos de menor risco.
“Com o petróleo em alta, crescem as preocupações com inflação global. Isso faz os investidores reverem expectativas de cortes de juros e adotarem uma postura mais defensiva”, disse Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, em comentário por escrito.
“Em momentos como esse, normalmente, o mercado reduz a exposição a ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes, e busca proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar.”
Durante a tarde, em meio à forte pressão de alta para a moeda norte-americana, o Banco Central do Brasil anunciou e cancelou logo na sequência dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), alegando um erro técnico.
No exterior, às 17h14, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,47%, a 98,979.
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