Taxas dos DIs caem após novas pesquisas eleitorais e debate entre Flávio e Lula

Publicado em 19/10/2026 10:20 e atualizado em 19/10/2026 10:51

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 19 Out (Reuters) - Após subirem nas últimas quatro sessões, as taxas dos DIs operavam em baixa nesta segunda-feira no Brasil, em meio à divulgação de duas novas pesquisas eleitorais e à repercussão sobre o primeiro debate entre os candidatos à Presidência.

Às 10h07, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 12,9%, em baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 12,92% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,84%, com queda de 5 pontos-base ante 12,893%.

A nova pesquisa BTG/Nexus mostrou redução de 2,8 pontos percentuais para 0,6 ponto percentual da diferença entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Flávio tem 46,5% das intenções de voto e Lula soma 45,9%. O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 4,7%, enquanto 2,9% não sabem.

Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico, conforme a pesquisa.

Já o novo levantamento da Atlas revelou uma queda de 5,4 para 2,2 pontos percentuais da vantagem de Flávio, com o senador com 49,8% das intenções de voto e o presidente com 47,6%. O percentual de indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo é de 2,6%.

Como neste caso a margem de erro é de 1 ponto percentual, Flávio está na liderança para além da margem de erro.

Além das duas novas pesquisas, os investidores repercutem nesta segunda-feira o primeiro debate entre os candidatos, promovido pela Band na noite de domingo.

Flávio responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias e acusou o governo de gastar demais. Lula, por sua vez, perguntou se Flávio adotará o modelo econômico do presidente da Argentina, Javier Milei, e destacou o aumento da pobreza no país vizinho. A maior parte do debate foi marcada por acusações de lado a lado.

No mercado, boa parte dos agentes ainda considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

No debate de domingo, Flávio prometeu que, se eleito, congelará as dívidas de pessoas físicas por seis meses e de pessoas jurídicas por um ano. Em resposta, Lula lembrou que na nova fase do programa Desenrola o governo irá comprar dívidas que as pessoas têm nos bancos com descontos da ordem de 90%.

No boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central, os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção de inflação para 2026 em 5,22% e elevaram de 4,30% para 4,32% a taxa para 2027. Já a taxa básica Selic esperada para o fim deste ano seguiu em 13,25% e para o encerramento do próximo ano em 12,00%. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries mostravam acomodação nesta manhã, enquanto o petróleo Brent cedia. Às 10h06, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- estava estável, a 5,102%, enquanto o Brent cedia 1,40%, aos US$108,32 o barril.

Fonte: Reuters

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