Taxas dos DIs viram para o positivo com mercado ainda sensível à reeleição de Lula
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 29 Out (Reuters) - Após oscilarem com leves baixas mais cedo, as taxas dos DIs ganharam força nesta quinta-feira, na contramão dos Treasuries, com o mercado sensível aos desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Às 11h35, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,415%, em alta de 1 ponto-base ante o ajuste de 14,405% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,265%, com avanço de 14 pontos-base ante 15,13%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 7 pontos-base, a 4,978%.
Os Estados Unidos divulgaram nesta manhã que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, acima da projeção de 3,2% dos economistas ouvidos pela Reuters, enquanto os gastos do consumidor em setembro avançaram 0,5%.
Já o núcleo do índice de inflação PCE, bastante acompanhado pelo Federal Reserve para a formulação da política monetária, subiu 0,3% em setembro, em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% no mês passado.
Em outra divulgação, os EUA informaram que os pedidos de auxílio-desemprego no país somaram 194 mil na semana passada, ante estimativa de 199 mil.
Na esteira dos números, os rendimentos dos Treasuries passaram a exibir baixas firmes, em uma sessão em que o petróleo Brent também se mantinha em queda, ainda que modesta.
No Brasil, as taxas dos DIs de longo prazo exibiram leves baixas ante os ajustes da véspera, em sintonia com o recuo dos Treasuries, mas ao longo da manhã ganharam força e migraram para o território positivo.
Operador ouvido pela Reuters pontuou que a vitória de Lula, que surpreendeu negativamente o mercado, continua a influenciar os negócios.
Ao mesmo tempo em que aguardavam indicações sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os agentes esperavam por indicações sobre como será a política fiscal do novo governo Lula. O controle das contas públicas segue como a principal preocupação para a Faria Lima.
Em postagem em rede social nesta quinta-feira, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que o "tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular" e que o "candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA".
Na quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, chegou aos EUA após fugir do Brasil.
Investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio se declarou em carta “legítimo presidente eleito” e, posteriormente, “líder do Brasil”.
Os partidos da base de apoio de Flávio, no entanto, reconheceram a eleição de Lula.
No mercado, um dos receios é de que a presença de Flávio nos EUA eleve os atritos do país com o Brasil, o que poderia afetar a economia e, no limite, o câmbio e os juros.
Nesta manhã, o Tesouro Nacional informou que o governo central registrou forte elevação de receitas em setembro e alcançou no mês um superávit primário de R$4,839 bilhões. O resultado foi melhor que o saldo negativo de R$14,379 bilhões observado no mesmo mês de 2025.
Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, fosse superavitário em R$4,650 bilhões no mês passado.