Paraná pode ter safra recorde de soja em 2026/27 com chuvas do El Niño, diz Deral

Publicado em 27/08/2026 13:42 e atualizado em 27/08/2026 14:23

 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - O Paraná, um dos principais produtores de soja do Brasil, poderá registrar um aumento de cerca de 4% na safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, obtendo uma colheita recorde com impulso de chuvas associadas ao fenômeno climático El Niño na região Sul.

Em sua primeira estimativa para a nova temporada divulgada nesta quinta-feira, o Departamento de Economia Rural (Deral) projetou uma safra de 22,6 milhões de toneladas, versus 21,8 milhões de toneladas no ciclo passado.

O recorde anterior registrado pelo Deral foi de 22,3 milhões de toneladas, em 2022/23.

O Deral projeta um aumento também próximo de 4% na produtividade média, para 3.930 quilos por hectare, já que preliminarmente considera que a área plantada na temporada 2026/27 deverá ter um ligeiro crescimento para 5,760 milhões de hectares em 2026/27, ante 5,733 milhões no ciclo passado.

"Apesar da perspectiva inicial ser favorável, a confirmação desse volume (22,6 milhões) dependerá, principalmente, das condições climáticas ao longo do ciclo", afirmou o especialista em soja do Deral, Edmar Gervásio.

"A safra 2026/27 começa sob influência do fenômeno El Niño, que tende a aumentar a frequência de chuvas no Sul do Brasil, especialmente durante a primavera", comentou.

O El Niño, por outro lado, traz algumas preocupações sobre o tempo quente e seco para a safra do centro-norte do país.

As atividades de plantio de soja devem começar no próximo mês no Paraná, que geralmente disputa com o Rio Grande do Sul o posto de segundo Estado produtor de soja do Brasil, atrás de Mato Grosso.

Gervásio ponderou que, se as chuvas do El Niño forem excessivas no Paraná, poderão influenciar os trabalhos de plantio, colheita e tratos culturais ao longo do desenvolvimento da lavoura.

"Os meses de setembro e outubro merecem atenção especial, por coincidirem com o período de implantação e estabelecimento de grande parte das lavouras. Chuvas persistentes podem dificultar o plantio e reduzir as janelas de operação", comentou.

Já entre novembro e janeiro, durante fases importantes de desenvolvimento, floração e enchimento de grãos, tanto o excesso quanto eventuais períodos de deficiência hídrica poderão afetar o potencial produtivo, disse.

Já chuvas muito acima da média nos meses de fevereiro e março poderiam impactar os trabalhos de colheita.

O Deral, órgão da secretaria de agricultura do Paraná, projetou também um aumento na área plantada com milho primeira safra no Paraná para 373 mil hectares, ante 365,7 mil ha em 2025/26. Isso poderia resultar em produção de 4,1 milhões de toneladas.

"Nesta primeira estimativa tem um leve crescimento. A expectativa, à medida que avance o plantio, é que talvez aumente um pouco mais desta área, especialmente na região sul. O cenário de clima é basicamente o mesmo desenhado para a soja", disse Gervásio.

SAFRA DE INVERNO

O Deral ainda elevou para 17,3 milhões de toneladas a projeção da segunda safra de milho 2025/26, ante 17,05 milhões na previsão anterior, mas ainda vê um recuo de 3% no comparativo anual para a colheita que está caminhando para a etapa final.

O Paraná também é um dos maiores produtores de milho do Brasil, obtendo a maior parte na segunda safra, semeada após a colheita da soja.

Já a safra de trigo do Paraná -- cuja colheita está em fase inicial -- foi estimada em 2,37 milhões de toneladas, praticamente estável ante a previsão do mês anterior, o que indica uma queda anual de 18%, em meio a uma área plantada menor.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima e Pedro Fonseca)

Fonte: Reuters

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