Brasil rumo ao recorde: Safra de café 2026 caminha para superar os 70 milhões de sacas e redesenhar o mercado global

Publicado em 11/02/2026 05:51 e atualizado em 11/02/2026 07:31
Primeiras estimativas apontam para um cenário promissor, mas clima e recomposição dos estoques ainda são obstáculos

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As primeiras estimativas apontam: O Brasil terá uma safra recorde de café em 2026. As condições climáticas mais favoráveis registradas no final do ano passado, durante importante período do ciclo da cultura, juntamente com as temperaturas mais amenas no pré-florada que melhoraram o pegamento,  sustentam a expectativa para uma recuperação da safra brasileira nesta temporada, principalmente do arábica. 

Na última quinta-feira (05), a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou seu primeiro levantamento e apontou um aumento de 17,1% em relação a safra de 2025,  marcando assim um novo recorde. De acordo com a Companhia, o Brasil deve atingir 66,2 milhões de sacas de 60 kg, com o arábica totalizando uma produção de 44,09 milhões de sacas, aumentando em 23,3% sobre a safra anterior, e os canéforas (conilon/robusta) registrando um crescimento de 6,4%, contabilizando 22,09 milhões de sacas. 

As projeções da Hedgepoint Global Markets também destacam que as chuvas de outubro e novembro de 2025 favoreceram a floração do arábica, enquanto o conilon manteve bom desenvolvimento nas principais regiões produtoras. Este cenário reflete então em uma expectativa de produção nacional de 71,0 e 74,4 milhões de sacas, com o arábica inicialmente projetado para produzir entre 46,5 e 49,0 milhões de sacas, e o conilon entre 24,6 e 25,4 milhões de sacas. "Com a recuperação no arábica e uma produção de conilon ainda elevada, a safra 2026/27 tende a contribuir para recomposição dos estoques globais", explica a companhia. 

Para a StoneX, o clima não foi tão favorável e ocasionou uma diminuição do potencial máximo que a atual safra brasileira poderia atingir. Mas, ainda assim, sua 1ª estimativa aponta para uma produção total de 70,7 milhões de sacas, o que representa um avanço de 13,5% em relação ao ciclo anterior (2025/26). Deste volume, são 47,2 milhões de arábica (aumento anual de 29,3%) e 23,5 milhões de sacas de robusta (recuo de 8,9%). Porém, a empresa pontua que apesar da recuperação esperada, os últimos anos (2021–2024) foram marcados por déficits consecutivos no balanço global de café, que reduziram os estoques mundiais em mais de 22 milhões de sacas.  "A safra 2026/27 surge como determinante para a recomposição desses estoques, embora o cenário climático continue desafiador e incerto", completa o relatório. 

Após a realização de um Tour do Café, com o objetivo de avaliar "in-loco" as condições do parque cafeeiro desta safra 26/27, a Pine Agronegócios constatou que a produtividade desta temporada foi muito impactada devido a questões climáticas. "Para o café Arábica, eventos extremos como geadas e chuvas de pedras causaram reduções na produção total. Já para o Conilon o cenário de redução de potencial produtivo se devem a alguns fatores, sendo o primeiro uma safra cheia em 2025 e por isso, manejos mais drásticos se fizeram necessário, o que reduz para esse ano 26/27 o potencial produtivo. O segundo fator clima, o qual o Conilon teve sua florada em uma período de baixo nível de armazenamento de solo, chuvas abaixo da média e entre 03 a 24/11 um período longo sem chuvas, causando impacto sobre a formação dos frutos", destaca relatório enviado pela consultoria. 

A Pine estima então, diante destes problemas avaliados no tour, que a safra de arábica para 2026 que tinha um potencial produtivo de aproximadamente 48,471 milhões de sacas, devido ao crescimento de área no Arábica de 8,46%, foi reduzida para 44,213M de sacas. O conilon/robusta que Conilon estava com um potencial produtivo para a safra 26/27 de 25,429M devido ao aumento de área de 8.74%, também foi afetado pelos fatores já citados e ficou então com a expectativa de produção de 23,486 milhões de sacas.  
O relatório do Itaú BBA traz a estimativa de uma safra brasileira alcançando o volume de 69,3 milhões de sacas, sendo 44,8 milhões de arábica (representando um aumento de 18%)e 24,5 milhões de robusta (queda de 2%). O documento reforça que, apesar da produção global crescer para 188 milhões de sacas apoiada por este avanço brasileiro, o consumo sobe moderadamente para 176 milhões, e o superávit sobe para 11,3 milhões de sacas, ou seja, seguimos limitados em um cenário de estoques apertados.

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Safra recorde brasileira X estoques e consumo mundial: O que dizem os especialistas?

Segundo o analista de mercado e diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, o Brasil veio de uma safra 25/26 estimada em torno de 62 milhões de sacas. Levando em consideração que o consumo interno ficou por volta de 22 milhões, e que a exportação deverá ser de 39 milhões, ficamos com  um estoque de passagem de apenas 2 milhões de sacas. "Estamos saindo de um estoque de passagem zerado no começo da safra anterior. Isso vem trazendo impactos aos preços do café. Não podemos esquecer também que os preços altos fizeram com que houvesse uma mudança na composição do consumo. Vimos até um aumento da utilização do Canephora. No mercado interno essa queda no consumo foi de 2%", completou o analista.

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O analista de mercado da Archer Consulting, Marcelo Moreira, reforça que o consumo é o grande desafio para o mercado de café. "Se considerarmos a projeção do USDA de 176 milhões de sacas, o estoque mundial aumentará para 16 milhões de sacas, elevando o índice estoque mundial x consumo mundial para cerca de 10%. Embora ainda não seja ideal, esse cenário reflete um mercado mais abastecido. No entanto, se a demanda mundial seguir a projeção da Organização Internacional do Café de 187 milhões de sacas para a safra 2026/27, o superávit mundial cairá para apenas 4 milhões de sacas, e o índice estoque x consumo mundial permanecerá crítico, em apenas 2,50%", pontuou.

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Por:
Raphaela Ribeiro
Fonte:
Notícias Agrícolas

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