Soja inverte o sinal e passa a cair em Chicago com recuo do 'prêmio de guerra' no trigo

Publicado em 09/09/2026 13:15
Rumores de conversas diplomáticas entre Rússia e Ucrânia aliviam cotações no exterior, mas petróleo forte e demanda americana seguram tombo da oleaginosa

Os contratos futuros da soja inverteram o sinal na Bolsa de Chicago e passaram a operar no campo negativo na tarde desta quarta-feira (9).  O movimento de baixa é liderado pelo trigo, que despencou após relatos de que Moscou projeta uma retomada nas negociações de paz com a Ucrânia. Enquanto os principais vencimentos do cereal perdiam mais de 13 pontos, por volta de 13h15 (horário de Brasília), as perdas na oleaginosa variavam de 7 a 7,50 pontos, levando o contrato novembro a US$ 13,09 e o março a US$ 13,31 por bushel. 

A perspectiva de avanço diplomático entre russos e ucranianos levou os fundos a retirarem parte do "prêmio de risco de guerra" embutido nos preços das agrícolas. Como o trigo puxou a fila das perdas, o complexo soja acabou contaminado pelo movimento vendedor de ajuste nas bolsas internacionais. Óleo e farelo, que subiam também mais cedo, passaram ao campo negativo e perdiam, respectivamente, 0,2% e 0,3%. 

No entanto, a queda da soja encontra uma trava importante para as baixas. Do lado dos fundamentos, a demanda aquecida no mercado norte-americano confirmada pelos recentes boletins de vendas do USDA  (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e o salto do petróleo, levando o brent acima de US$ 100,00 por barril limitam o espaço para recuos mais profundos. Perto de 13h20, o brent subia mais de 3,3% na Bolsa de Londres, dando espaço para ganhos, principalmente, entre as soft commodities negociadas na Bolsa de Nova York. 

No radar dos fundamentos, o clima na reta final das lavouras norte-americanas segue sendo o foco. Os operadores precificam o impacto das condições meteorológicas sobre o peso final dos grãos para a safra 2026/27, avaliando se os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vão confirmar uma safra cheia ou trazer surpresas. O novo boletim mensal de oferta e demanda chega nesta sexta-feira, dia 11. 

Para o produtor brasileiro, o cenário ainda é favorável para novas vendas, tanto da soja disponivel, quanto da nova safra. A volatilidade em Chicago reflete um cabo de guerra entre geopolítica e fundamentos reais de oferta e demanda, mas os prêmios seguem valorizados no mercado nacional e ainda atuando como um fator importante na precificação da oleaginosa. O momento pede atenção ainda ao dólar, que continua rondando os R$ 5,10, mas exibindo volatilidade nesta semana. 

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Soja inverte o sinal e passa a cair em Chicago com recuo do 'prêmio de guerra' no trigo
China avança nas compras de soja nos EUA, mas margem de esmagamento chinesa liga alerta no mercado
Soja sustenta leves ganhos em Chicago nesta 4ª (9), com foco no USDA e tensões globais no radar
Soja 26/27 acumula 10% de alta em 30 dias no MT e produtor avança com a comercialização
Importações de soja e farelo pela UE recuam no início da safra 2026/27
Importações de soja pela China caem em agosto; previsão para o ano aponta estabilidade ou queda