Soja inverte o sinal e passa a cair em Chicago com recuo do 'prêmio de guerra' no trigo
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Os contratos futuros da soja inverteram o sinal na Bolsa de Chicago e passaram a operar no campo negativo na tarde desta quarta-feira (9). O movimento de baixa é liderado pelo trigo, que despencou após relatos de que Moscou projeta uma retomada nas negociações de paz com a Ucrânia. Enquanto os principais vencimentos do cereal perdiam mais de 13 pontos, por volta de 13h15 (horário de Brasília), as perdas na oleaginosa variavam de 7 a 7,50 pontos, levando o contrato novembro a US$ 13,09 e o março a US$ 13,31 por bushel.
A perspectiva de avanço diplomático entre russos e ucranianos levou os fundos a retirarem parte do "prêmio de risco de guerra" embutido nos preços das agrícolas. Como o trigo puxou a fila das perdas, o complexo soja acabou contaminado pelo movimento vendedor de ajuste nas bolsas internacionais. Óleo e farelo, que subiam também mais cedo, passaram ao campo negativo e perdiam, respectivamente, 0,2% e 0,3%.
No entanto, a queda da soja encontra uma trava importante para as baixas. Do lado dos fundamentos, a demanda aquecida no mercado norte-americano confirmada pelos recentes boletins de vendas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e o salto do petróleo, levando o brent acima de US$ 100,00 por barril limitam o espaço para recuos mais profundos. Perto de 13h20, o brent subia mais de 3,3% na Bolsa de Londres, dando espaço para ganhos, principalmente, entre as soft commodities negociadas na Bolsa de Nova York.
No radar dos fundamentos, o clima na reta final das lavouras norte-americanas segue sendo o foco. Os operadores precificam o impacto das condições meteorológicas sobre o peso final dos grãos para a safra 2026/27, avaliando se os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vão confirmar uma safra cheia ou trazer surpresas. O novo boletim mensal de oferta e demanda chega nesta sexta-feira, dia 11.
Para o produtor brasileiro, o cenário ainda é favorável para novas vendas, tanto da soja disponivel, quanto da nova safra. A volatilidade em Chicago reflete um cabo de guerra entre geopolítica e fundamentos reais de oferta e demanda, mas os prêmios seguem valorizados no mercado nacional e ainda atuando como um fator importante na precificação da oleaginosa. O momento pede atenção ainda ao dólar, que continua rondando os R$ 5,10, mas exibindo volatilidade nesta semana.
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