Soja fecha em queda em Chicago com óleo recuando quase 1,5%; preços no BR têm suporte no dólar
O mercado da soja encerrou os negócios desta quarta-feira (14) em campo negativo na Bolsa de Chicago, devolvendo parte dos ganhos recentes e acompanhando, sobretudo, a pressão observada no óleo de soja. Na ponta oposta do complexo, o farelo conseguiu terminar o pregão em alta. O novembro/26 fechou cotado a US$ 12,77 por bushel, com perda de 6,50 pontos. Janeiro/27 terminou a US$ 12,92, recuando 8 pontos, enquanto março/27 perdeu 8,50 pontos, para US$ 13,00 por bushel. Maio/27 encerrou a US$ 13,08, com baixa de 8,75 pontos.
Entre os derivados, o movimento foi divergente. O óleo de soja recuava 1,48%, aos 67,01 cents por libra-peso, reforçando a pressão sobre o grão. Já o farelo avançava 0,39%, negociado a US$ 364,60 por tonelada curta.
A baixa da oleaginosa acontece ainda em um dia no qual o mercado recebeu novas vendas de soja norte-americana para a China, com o movimento apenas limitando as perdas na CBOT. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou nesta quarta-feira uma operação de 470 mil toneladas de soja, para entrega ao país asiático ao longo da temporada 2026/27. A confirmação mantém a demanda chinesa no radar de Chicago, mas não foi suficiente para sustentar as cotações nesta sessão.
No entanto, a alta do dólar que se intensificou na tarde desta quarta pesou sobre as cotações da soja na CBOT, como explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "O dólar em alta no mercado global aumenta as indicações de que os juros vão aumentar no final do mês, o Federal Reserve, provavelmente, vai aumentar a taxa de juros americanos e, automaticamente, traz uma pressão do dólar no mercado global e pressiona todos os mercados".
MERCADO BRASILEIRO
Para o produtor brasileiro, entretanto, a leitura do dólar em alta ajudou a amenizar a pressão da queda em Chicago na precificação do grão no mercado doméstico. A moeda americana fechou o dia com R$ 5,03 e ganho de 0,2%.
Assim, o fechamento desta quarta reforça um mercado de forças bastante distintas: Chicago recua, o óleo amplia as perdas e pesa sobre o complexo, enquanto o farelo sobe, a China continua comprando soja americana e o dólar permanece acima dos R$ 5,00 no Brasil.
Para o produtor, portanto, a queda em Chicago não necessariamente se traduz na mesma intensidade sobre os preços brasileiros, especialmente onde prêmios e câmbio seguem oferecendo sustentação. Ainda assim, porém, o ritmo dos negócios diminuiu de forma significativa em relação às últimas semanas, com o produtor não só sentindo a pressão na CBOT, mas também por concentrar a maior parte de sua atenção e energia nos trabalhos de plantio.