Soja fecha em queda pelo terceiro dia consecutivo em Chicago e já perde 2,55% na semana
Os preços futuros da soja encerraram a quarta-feira (28) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), completando o terceiro pregão consecutivo de desvalorização. Depois de iniciarem o dia em recuperação, os principais contratos perderam força ao longo da sessão e terminaram no campo negativo, em um mercado atento à disponibilidade norte-americana, à demanda chinesa e à competitividade da soja brasileira.
O contrato novembro/26 fechou cotado a US$ 12,2450 por bushel, com queda de 4,75 cents, equivalente a 0,39%. O janeiro/27 recuou 5 cents, encerrando a US$ 12,3800, enquanto o março/27 perdeu 5,75 cents e terminou negociado a US$ 12,4600 por bushel. O maio/27 apresentou baixa de 6 cents, fechando a US$ 12,5450.
O comportamento do pregão foi marcado pela perda gradual de sustentação. Por volta das 9h29 (horário de Brasília), o novembro/26 avançava 3,25 cents, negociado a US$ 12,3250 por bushel. Perto do meio-dia, a valorização havia diminuído para apenas 1,50 cent, antes de os preços passarem ao campo negativo e encerrarem abaixo dos ajustes da sessão anterior.
Com o resultado desta quarta-feira, o novembro/26 acumula desvalorização de 2,55% em relação ao fechamento de sexta-feira (23), quando estava cotado a US$ 12,5650 por bushel. As perdas começaram na segunda-feira (26), com recuo de 1,21%, e continuaram na terça-feira (27), quando o contrato caiu outros 0,97%.
Demanda americana apresenta novos negócios, mas preços permanecem pressionados
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quarta-feira uma venda de 120 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada comercial 2026/27.
O anúncio reforçou os sinais recentes de demanda pelo produto norte-americano, após os números positivos das inspeções de exportação divulgados na segunda-feira. Na semana encerrada em 22 de outubro, os embarques inspecionados de soja dos Estados Unidos alcançaram aproximadamente 2,48 milhões de toneladas, crescimento de 19,7% em relação à semana anterior.
A China permaneceu como principal destino dos carregamentos inspecionados, com cerca de 1,65 milhão de toneladas. Entretanto, o comprador da nova venda anunciada nesta quarta-feira não foi identificado, não sendo possível atribuir esse negócio ao país asiático.
Apesar da movimentação comercial, os futuros encerraram mais uma sessão em queda. O resultado mantém a atenção sobre a capacidade da demanda internacional de absorver a produção americana e sobre o comportamento dos investidores após as perdas acumuladas nos últimos pregões.
A colheita da soja nos Estados Unidos também segue entre os principais fundamentos acompanhados. Segundo o último relatório do USDA, os trabalhos alcançaram 79% da área cultivada até domingo (25), avanço de 15 pontos percentuais em uma semana e resultado superior à média dos últimos cinco anos, de 77%.
O progresso da colheita continua ampliando a disponibilidade do grão no mercado norte-americano, embora a aproximação do encerramento dos trabalhos possa reduzir gradualmente a pressão sazonal da entrada de produto.
Câmbio e safra brasileira continuam no radar
No Brasil, as oscilações do real diante do dólar continuam influenciando as expectativas de competitividade das exportações. A forte valorização da moeda norte-americana após as eleições presidenciais, no início da semana, ampliou a atenção dos operadores internacionais sobre a possibilidade de ofertas brasileiras mais competitivas.
Em análise divulgada nesta quarta-feira, a Price Futures Group destacou o comportamento do câmbio brasileiro entre os fatores acompanhados pelos participantes do mercado de grãos. A desvalorização do real tende a favorecer as receitas de exportação em moeda nacional, embora o resultado efetivo para o produtor dependa também dos preços em Chicago, dos prêmios e dos custos logísticos.
No mercado doméstico, a Safras & Mercado apontou que a comercialização da soja permaneceu limitada na terça-feira (27), com negócios pontuais diante da cautela dos produtores. A consultoria trabalhava inicialmente com a possibilidade de recuperação dos preços nesta quarta-feira, condicionada à sustentação das altas em Chicago e à valorização do dólar.
Entretanto, o resultado negativo da bolsa norte-americana mostra que a recuperação internacional não se confirmou até o fechamento, mantendo a atenção sobre os reflexos do câmbio nas referências brasileiras.
Além das movimentações comerciais, os operadores seguem acompanhando o avanço do plantio da safra 2026/27 no Brasil e a distribuição das chuvas nas principais regiões produtoras. As condições climáticas continuarão importantes para a definição do potencial produtivo da próxima temporada.
Com isso, a soja encerra a quarta-feira ampliando as perdas acumuladas desde o início da semana, apesar dos novos sinais de demanda externa. Para os próximos pregões, o comportamento do câmbio, as compras internacionais e as perspectivas de oferta nos Estados Unidos e na América do Sul permanecerão entre os principais fatores de atenção.