Soja devolve ganhos da manhã e fecha terça-feira em queda de quase 1% em Chicago
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Os preços futuros da soja encerraram a terça-feira (27) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), depois de iniciarem o pregão em recuperação. O movimento positivo da manhã perdeu força ao longo do dia e deu lugar a novas desvalorizações, ampliando a pressão observada desde a segunda-feira, em um mercado que acompanha a entrada da safra norte-americana e os reflexos da forte desvalorização do real sobre a competitividade brasileira.
O contrato novembro/26 fechou cotado a US$ 12,2925 por bushel, com queda de 12 cents, equivalente a 0,97%. O janeiro/27 recuou 9,50 cents, encerrando a US$ 12,4300, enquanto o março/27 perdeu 9,25 cents e terminou negociado a US$ 12,5175 por bushel. O maio/27 registrou baixa de 9,50 cents, para US$ 12,6050.
A trajetória do pregão foi marcada por uma mudança de direção. Às 8h59 (horário de Brasília), o novembro/26 avançava 8,25 cents, negociado a US$ 12,4950 por bushel. Perto do meio-dia, os ganhos já haviam praticamente desaparecido, com o contrato cotado a US$ 12,4225. No fechamento, a soja terminou abaixo dos níveis da sessão anterior.
Com o resultado desta terça-feira, o contrato novembro/26 acumula desvalorização de aproximadamente 2,17% em relação ao fechamento de sexta-feira (23), quando estava cotado a US$ 12,5650 por bushel. A perda reforça a dificuldade de sustentação dos preços nos dois primeiros pregões da semana, apesar dos sinais de demanda externa aquecida pelos Estados Unidos.
Oferta americana e competitividade brasileira continuam pressionando expectativas
A colheita norte-americana segue entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os produtores haviam retirado a soja de 79% da área cultivada até domingo (25), avanço de 15 pontos percentuais em uma semana e resultado superior à média dos últimos cinco anos, de 77%.
O avanço dos trabalhos aumenta a disponibilidade do grão no mercado americano, mas também aproxima o fim da pressão sazonal exercida pela colheita. A Successful Farming destacou nesta terça-feira que o mercado acompanha a possibilidade de maior sustentação das cotações conforme a retirada da safra se aproxima da conclusão.
Pelo lado da demanda, as inspeções de exportação norte-americanas alcançaram aproximadamente 2,48 milhões de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, crescimento de 19,7% em relação à semana anterior. A China respondeu por cerca de 1,65 milhão de toneladas, permanecendo como principal destino da soja dos Estados Unidos.
Embora os números mostrem atividade exportadora importante, eles não foram suficientes para sustentar a recuperação dos contratos ao longo desta terça-feira.
O câmbio brasileiro também permanece no radar dos operadores. Na segunda-feira (26), a forte valorização do dólar diante do real, após o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, esteve entre os fatores relacionados à queda da soja em Chicago. A desvalorização da moeda nacional tende a melhorar a competitividade brasileira nas exportações, aumentando a concorrência enfrentada pelo produto norte-americano.
Em análise divulgada nesta terça-feira, a ADM Investor Services destacou que o real mais fraco continua sendo um fator de pressão sobre as expectativas para a soja americana, apesar da recuperação técnica ensaiada durante a manhã. A consultoria também observou redução das posições em aberto nos últimos pregões, sinalizando liquidação de posições compradas por participantes do mercado.
No Brasil, os operadores continuam acompanhando a evolução do plantio da safra 2026/27 e as condições climáticas nas principais regiões produtoras. A combinação entre expectativas de oferta elevada, movimentações cambiais e demanda chinesa seguirá importante para a formação dos preços internacionais.
Assim, a soja encerra a terça-feira no campo negativo, depois de devolver integralmente os ganhos da abertura. Para os próximos pregões, a evolução do câmbio brasileiro, o avanço da colheita norte-americana e a confirmação de novos negócios de exportação permanecerão entre os principais fatores de atenção.
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