Soja perde força em Chicago nesta quarta-feira e passa a operar próxima da estabilidade

USDA anuncia nova venda de 120 mil toneladas, enquanto colheita americana e câmbio brasileiro seguem no radar
Publicado em 28/10/2026 12:11

Logotipo Notícias Agrícolas

Os preços futuros da soja perderam força na Bolsa de Chicago (CBOT) durante a manhã desta quarta-feira (28). Após iniciarem o pregão em alta, tentando recuperar parte das perdas acumuladas desde segunda-feira, os principais vencimentos passaram a operar próximos da estabilidade, com pequenas valorizações nos contratos mais curtos e leves baixas nos mais distantes.

Por volta das 11h59 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,3075 por bushel, com valorização de 1,50 cent em relação ao fechamento anterior, equivalente a aproximadamente 0,12%. O janeiro/27 avançava 0,75 cent, para US$ 12,4375, enquanto o março/27 permanecia estável, cotado a US$ 12,5175. O maio/27 recuava 0,50 cent, para US$ 12,6000, e o julho/27 perdia 0,75 cent, negociado a US$ 12,6650 por bushel.

O comportamento representa uma mudança em relação à abertura. Às 9h29, o novembro/26 apresentava alta de 3,25 cents, negociado a US$ 12,3250 por bushel. Desde então, o contrato devolveu parte da valorização, evidenciando a dificuldade de sustentação da recuperação após dois pregões consecutivos de perdas.

Na segunda-feira (26), o novembro havia encerrado com desvalorização de 1,21%, enquanto na terça-feira (27) perdeu outros 0,97%, terminando a US$ 12,2925 por bushel. Apesar da tentativa de reação nesta quarta-feira, o contrato permanece abaixo dos US$ 12,5650 registrados no fechamento da última sexta-feira (23).

Nova venda de soja americana reforça atenção sobre demanda

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quarta-feira uma nova venda de 120 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega prevista para o ano comercial 2026/27.

A informação acrescenta um novo sinal de demanda pelo produto norte-americano, após os resultados expressivos das inspeções de exportação divulgados na segunda-feira. Na semana encerrada em 22 de outubro, os embarques inspecionados de soja somaram aproximadamente 2,48 milhões de toneladas, crescimento de 19,7% em relação ao período anterior.

A China permaneceu como principal destino, com cerca de 1,65 milhão de toneladas. Entretanto, o comprador das 120 mil toneladas anunciadas nesta quarta-feira não foi identificado pelo USDA, não sendo possível atribuir o negócio ao país asiático.

Apesar dos indicadores positivos de demanda, os contratos futuros encontram dificuldade para sustentar uma recuperação mais consistente. O mercado continua avaliando a capacidade das exportações americanas de absorver a oferta disponível, especialmente diante da concorrência brasileira.

Colheita americana e câmbio brasileiro seguem influenciando expectativas

Nos Estados Unidos, o avanço da colheita permanece entre os principais fatores de atenção. Segundo o relatório divulgado pelo USDA na segunda-feira, os produtores haviam retirado a soja de 79% da área cultivada até domingo (25), avanço de 15 pontos percentuais em uma semana e resultado superior à média dos últimos cinco anos, de 77%.

A entrada da produção americana continua ampliando a disponibilidade de grãos no mercado, embora o avanço dos trabalhos também aproxime o encerramento da pressão sazonal exercida pela colheita.

No Brasil, o comportamento do real diante do dólar segue influenciando as expectativas sobre a competitividade da soja brasileira no comércio internacional. A forte desvalorização da moeda nacional após o resultado das eleições presidenciais contribuiu para pressionar as cotações em Chicago no início da semana.

Segundo análises da Price Futures Group, o câmbio brasileiro permanece entre os fatores acompanhados pelos operadores, ao lado da oferta americana e das condições para o desenvolvimento da próxima safra sul-americana. Uma moeda brasileira mais desvalorizada tende a favorecer a competitividade dos exportadores nacionais, embora os efeitos sobre os preços recebidos pelos produtores dependam também dos prêmios e dos custos logísticos.

As condições climáticas no Brasil também continuam no radar. O avanço do plantio da safra 2026/27, favorecido pelas chuvas em importantes regiões do Centro-Oeste, reforça as expectativas de produção elevada, enquanto a regularidade das precipitações durante novembro será importante para o estabelecimento das lavouras.

Além dos fundamentos agrícolas, os investidores acompanham nesta quarta-feira a decisão de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. As sinalizações sobre a trajetória dos juros americanos poderão influenciar o comportamento do dólar e dos mercados de commodities.

Com isso, a soja opera próxima da estabilidade no fim da manhã, após perder parte dos ganhos da abertura. A evolução do câmbio, a demanda internacional e as perspectivas de oferta na América do Norte e do Sul continuarão entre os principais fatores acompanhados pelo mercad

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário