Soja tenta interromper sequência de quatro quedas em Chicago, mas abre sexta-feira com preços mistos
Os preços futuros da soja iniciaram a sexta-feira (30) com movimentações distintas na Bolsa de Chicago (CBOT), após quatro sessões consecutivas de perdas nos contratos mais próximos. Enquanto o vencimento novembro/26 tentava uma pequena recuperação, os demais contratos operavam em território negativo, refletindo um mercado que continua avaliando o avanço da colheita norte-americana, a demanda chinesa e as perspectivas de produção na América do Sul.
Por volta das 7h14 (horário de Brasília), o novembro/26 era negociado a US$ 12,2075 por bushel, com valorização de 1,00 cent em relação ao ajuste anterior. O janeiro/27 recuava 1,75 cent, cotado a US$ 12,3300, enquanto o março/27 perdia 1,25 cent, para US$ 12,4225. O maio/27 também registrava baixa de 1,25 cent, negociado a US$ 12,5150 por bushel.
O comportamento ocorre depois de uma quinta-feira (29) marcada por novas perdas, embora os contratos tenham recuperado parte do terreno negativo durante a tarde. O novembro/26 encerrou a sessão anterior a US$ 12,1975 por bushel, acumulando desvalorização de 2,92% desde a última sexta-feira (23).
Nesta sexta-feira, o mercado também acompanha o início do período de aviso de entrega do contrato novembro/26, conhecido como first notice day. A proximidade do vencimento aumenta a atenção dos operadores à movimentação das posições e à transferência dos negócios para os contratos seguintes.
Demanda chinesa permanece expressiva
Um dos principais fundamentos acompanhados pelos operadores continua sendo a demanda internacional pela soja norte-americana, especialmente as compras realizadas pela China.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou na quinta-feira que as vendas líquidas de soja da safra 2026/27 somaram 2.576.400 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. O volume ficou 9% abaixo do registrado na semana anterior, mas permaneceu dentro das expectativas dos analistas, que variavam entre 1,8 milhão e 3 milhões de toneladas.
A China respondeu por 1.627.000 toneladas, aproximadamente 63% do total comercializado. Os embarques efetivos alcançaram 2.384.100 toneladas, crescimento de 18% na comparação semanal e de 72% em relação à média das últimas quatro semanas.
Apesar dos resultados expressivos, os indicadores de demanda não foram suficientes para interromper a sequência negativa dos preços em Chicago. O mercado continua dividido entre o ritmo das compras internacionais e as perspectivas de disponibilidade de soja nos Estados Unidos e na América do Sul.
Colheita americana e condições brasileiras influenciam expectativas
A pressão sazonal da entrada da safra norte-americana permanece como um dos fatores relevantes para a formação dos preços. Segundo o último levantamento do USDA, a colheita de soja dos Estados Unidos havia alcançado 79% da área até 25 de outubro, acima da média de 77% dos últimos cinco anos.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas na quinta-feira, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócio, avaliou que o avanço da colheita norte-americana, combinado à maior disponibilidade do produto, contribui para a pressão recente sobre Chicago. Entretanto, o analista destacou que a demanda interna e externa dos Estados Unidos continua firme, o que pode limitar movimentos mais intensos de queda nas cotações.
Palavro também chamou a atenção para as perspectivas da safra brasileira 2026/27. Embora o desenvolvimento das lavouras apresente condições favoráveis em diferentes regiões, o excesso de chuvas em partes do Sul e a irregularidade das precipitações em áreas do Centro-Norte ainda representam pontos de atenção.
Segundo o especialista, os próximos 30 a 40 dias serão decisivos para avaliar o potencial produtivo brasileiro, especialmente diante das diferenças entre os modelos de previsão climática para novembro.
Outro fator importante para a competitividade da soja brasileira é o comportamento cambial. A valorização do dólar frente ao real durante a semana estimulou novas negociações da safra 2027, segundo a Pátria Agronegócio, mesmo diante da sequência de perdas dos contratos futuros em Chicago.
Para os produtores brasileiros, o último pregão de outubro começa com referências internacionais ainda pressionadas, mas com oportunidades comerciais que dependem também do câmbio e dos prêmios de exportação. O comportamento dos preços nesta sexta-feira definirá o resultado semanal e mensal dos contratos, depois de um período marcado por volatilidade nos mercados agrícolas.