Soja fecha em queda pelo quarto dia em Chicago, mas reduz perdas após vendas fortes dos EUA
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Os preços futuros da soja encerraram a quinta-feira (29) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), completando quatro sessões consecutivas de desvalorização. Apesar da recuperação parcial registrada ao longo da tarde, o mercado não conseguiu retornar ao campo positivo, mesmo diante de números expressivos de vendas para exportação dos Estados Unidos, especialmente para a China.
O contrato novembro/26 fechou negociado a US$ 12,1975 por bushel, com recuo de 0,39%, equivalente a 4,75 cents. O janeiro/27 perdeu 3,25 cents, terminando a US$ 12,3475, enquanto o março/27 recuou 2,50 cents, para US$ 12,4350. O maio/27 encerrou a sessão a US$ 12,5275 por bushel, com baixa de 1,75 cent.
Durante a manhã, a pressão chegou a ser mais intensa. Por volta das 11h41 (horário de Brasília), o novembro/26 era negociado a US$ 12,1600 por bushel, com queda de 0,69%. A recuperação parcial até o fechamento reduziu a intensidade das perdas, mas não foi suficiente para interromper a sequência negativa.
Desde a última sexta-feira (23), quando o contrato novembro/26 terminou cotado a US$ 12,5650 por bushel, a soja acumulou desvalorização de 2,92% em Chicago.
Demanda chinesa permanece forte
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta quinta-feira que as vendas líquidas de soja da safra 2026/27 somaram 2.576.400 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. Embora o resultado represente uma redução de 9% em relação à semana anterior, o volume permaneceu expressivo e dentro das expectativas dos analistas.
A China respondeu por 1.627.000 toneladas, aproximadamente 63% do total vendido. O resultado reforça a participação chinesa na demanda pela soja norte-americana, mesmo em um cenário de amplas expectativas de oferta global.
Os embarques efetivos também apresentaram desempenho positivo, alcançando 2.384.100 toneladas, crescimento de 18% na comparação semanal e de 72% em relação à média das últimas quatro semanas. Desse total, aproximadamente 1,657 milhão de toneladas tiveram a China como destino.
Apesar dos indicadores favoráveis de demanda, os futuros permaneceram pressionados. Os dados comerciais mostram que as exportações americanas continuam movimentadas, mas não foram suficientes, isoladamente, para sustentar uma recuperação dos preços nesta quinta-feira.
Colheita e competitividade brasileira seguem no radar
A entrada da safra norte-americana continua sendo um dos principais fundamentos acompanhados pelo mercado. De acordo com o USDA, 79% da área cultivada com soja nos Estados Unidos havia sido colhida até 25 de outubro, acima dos 77% registrados na média dos últimos cinco anos.
Além da maior disponibilidade de grãos, as oscilações cambiais brasileiras ganharam relevância nesta semana. A desvalorização do real frente ao dólar pode aumentar a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, uma vez que permite ao produto nacional apresentar preços mais atrativos em moeda americana, dependendo do comportamento dos prêmios e das cotações domésticas.
Nesta quinta-feira, o dólar voltou a avançar frente ao real, trabalhando na região de R$ 5,42 durante a tarde, em meio às incertezas políticas e fiscais brasileiras. O movimento cambial representa um fator adicional na avaliação das condições de concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelos principais mercados importadores.
O avanço do plantio brasileiro para a temporada 2026/27 também permanece no radar. As perspectivas de produção elevada no país, embora ainda dependentes das condições climáticas ao longo do desenvolvimento das lavouras, contribuem para manter as expectativas de disponibilidade expressiva de soja no mercado internacional.
Para os produtores brasileiros, o fechamento desta quinta-feira reforça a importância de acompanhar simultaneamente Chicago, dólar e prêmios de exportação. Enquanto a sequência de baixas nos futuros americanos reduz a referência internacional de preços, a valorização da moeda norte-americana pode compensar parte desse movimento na formação das cotações domésticas, a depender das condições de cada praça.
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