Soja vira para o positivo em Chicago nesta sexta-feira e tenta interromper sequência de quatro quedas

Publicado em 30/10/2026 12:11
Demanda externa continua firme, mas avanço da colheita americana e perspectivas da safra brasileira limitam recuperação

Os preços futuros da soja passaram a operar em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo da manhã desta sexta-feira (30), com todos os principais vencimentos retornando ao campo positivo. O movimento representa uma tentativa de recuperação após quatro sessões consecutivas de desvalorização, embora os ganhos ainda sejam discretos diante das perdas acumuladas durante a semana.

Por volta das 11h53 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,2200 por bushel, com valorização de 2,25 cents em relação ao fechamento anterior. O janeiro/27 avançava 0,75 cent, cotado a US$ 12,3550, enquanto o março/27 subia 1,00 cent, para US$ 12,4450. O maio/27 registrava alta de 1,25 cent, negociado a US$ 12,5400 por bushel.

A mudança de direção ocorreu ao longo da manhã. Na primeira atualização do dia, às 7h14, apenas o novembro/26 registrava valorização, enquanto os demais vencimentos operavam em baixa. A recuperação posterior levou toda a curva de contratos para o território positivo, embora sem movimentos expressivos.

O mercado tenta interromper uma sequência negativa iniciada após o fechamento da última sexta-feira (23), quando o novembro/26 estava cotado a US$ 12,5650 por bushel. Considerando a cotação desta manhã, o contrato ainda acumula desvalorização de aproximadamente 2,75% no período.

Demanda americana segue firme, mas oferta permanece no radar

A demanda internacional pela soja norte-americana continua entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores, especialmente depois dos resultados divulgados na quinta-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As vendas líquidas da safra 2026/27 totalizaram 2.576.400 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, redução de 9% em relação à semana anterior, mas ainda dentro das expectativas do mercado. A China respondeu por 1.627.000 toneladas, aproximadamente 63% do volume comercializado.

Os embarques efetivos também apresentaram desempenho positivo, alcançando 2.384.100 toneladas, crescimento de 18% na comparação semanal e de 72% em relação à média das últimas quatro semanas.

Apesar do ritmo expressivo de comercialização externa, o mercado ainda enfrenta a pressão sazonal da colheita norte-americana. Segundo o USDA, os trabalhos haviam alcançado 79% da área cultivada até 25 de outubro, acima da média histórica de 77% para o período.

A entrada da produção americana amplia a disponibilidade imediata de soja, enquanto os operadores também avaliam as perspectivas de abastecimento internacional com o desenvolvimento da safra sul-americana.

Safra brasileira e câmbio influenciam competitividade

No Brasil, o desenvolvimento da safra 2026/27 permanece como um dos fatores importantes para as expectativas de oferta global. Embora o plantio apresente condições favoráveis em diferentes regiões, a irregularidade das chuvas em partes do Centro-Norte e os excessos de precipitação no Sul continuam gerando preocupações localizadas.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas na quinta-feira (29), Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócio, avaliou que o avanço da colheita americana e as perspectivas produtivas brasileiras ajudam a explicar as recentes perdas em Chicago. Entretanto, o especialista destacou que a demanda norte-americana permanece sólida e considera que o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos ainda pode oferecer sustentação às cotações.

Palavro também chamou atenção para o comportamento cambial brasileiro. Segundo ele, a valorização do dólar durante a semana abriu oportunidades de comercialização da soja 2027, com preços entre R$ 6,50 e R$ 7,50 por saca acima das referências da semana anterior em algumas negociações acompanhadas pela consultoria.

O movimento estimulou novas vendas por parte dos produtores, especialmente daqueles com lavouras mais adiantadas e necessidade de antecipar o fluxo de caixa para o próximo ano.

Para os produtores brasileiros, a recuperação discreta desta sexta-feira ainda não elimina a pressão acumulada em Chicago. O resultado do último pregão de outubro será determinante para o balanço semanal e mensal da soja, enquanto dólar, prêmios de exportação e condições climáticas continuarão influenciando as oportunidades de comercialização no mercado doméstico.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Soja vira para o positivo em Chicago nesta sexta-feira e tenta interromper sequência de quatro quedas
Primavera sob influência do El Niño: o que esperar do clima no Brasil?
Soja tenta interromper sequência de quatro quedas em Chicago, mas abre sexta-feira com preços mistos
Soja fecha em queda pelo quarto dia em Chicago, mas reduz perdas após vendas fortes dos EUA
Soja amplia perdas em Chicago nesta quinta-feira mesmo após vendas superiores a 2,5 milhões de toneladas nos EUA
Esmagamento de soja em MT cresce 4,74% e registra recorde no acumulado do ano