Etanol se consolida como principal aposta das usinas na safra 26/27

Publicado em 30/01/2026 09:36
Açúcar enfrenta limites externos enquanto biocombustível ganha força no mercado interno

A estratégia das usinas brasileiras para a safra 2026/27 já está definida: o etanol assume papel central na rentabilidade do setor. Segundo Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, todos os vetores favorecem o etanol e desfavorecem o açúcar, cenário que impacta diretamente o produtor rural na definição do destino da cana.

O principal motivo está no mercado internacional. Muruci explica que o açúcar permanece pressionado pela expectativa de superávit global. “A safra internacional 25/26 indica um excedente de 11 milhões de toneladas”, volume que limita as cotações em Nova Iorque e reduz a atratividade das exportações.

Além disso, o câmbio atua como fator restritivo. “Um real forte frente ao dólar reduz a remuneração das exportações”, afirma o analista. 

Mix produtivo muda com foco acima da média no etanol

Diante desse cenário, o mix do Centro-Sul passa por ajuste relevante. De acordo com Muruci, a estimativa é de 53% da produção destinada ao etanol e 47% ao açúcar, percentual superior ao padrão histórico. 

O mercado interno sustenta essa decisão. A produção de etanol na safra atual registra queda, reduzindo estoques e garantindo preços firmes. “Isso assegura valores sustentáveis para o hidratado”, destaca Muruci, reforçando a previsibilidade para quem produz.

Outro ponto decisivo é a demanda aquecida. O analista ressalta que tanto o etanol hidratado quanto o anidro apresentam consumo muito forte. 

Demanda firme elimina risco de excesso de oferta

Mesmo com novas usinas de etanol de milho entrando em operação, o risco de excesso de produto permanece baixo. Muruci é direto ao afirmar: “Não há perigo de excesso de oferta porque a demanda está respondendo”, explica.

O aumento da mistura de anidro na gasolina é central nesse processo. “O avanço de 27% para 30% representa elevação de 1,65 bilhão de litros na demanda”, disse. Esse volume adicional absorve a produção e sustenta preços.

Com expectativa de maior oferta de cana, Maurício recomenda disciplina comercial. “O produtor pode travar preços na B3 até setembro ou outubro”, orienta, destacando a importância de evitar o pico de oferta da safra.

Segundo ele, antecipar vendas reduz exposição à queda de preços típica de abril e maio. “Não esperar a enxurrada de oferta é fundamental para garantir rentabilidade”, alerta.

Eficiência produtiva sustenta competitividade

Muruci destaca ainda que ganhos agrícolas e industriais continuam decisivos. “As usinas investem constantemente em modernização e eficiência”. No campo, melhoramento genético e investimento em ferramentas que auxiliam na resistência à seca fortalecem a produtividade.

O manejo adequado do canavial também influencia nos resultados. “Tratos culturais e renovação de áreas garantem qualidade da matéria-prima. A eficiência reduz custos e amplia margens”, reforça.

Recado final para o produtor rural

Para o especialista, a leitura do cenário é clara. “O foco no etanol é a decisão mais assertiva possível”, afirma. Planejamento, uso de mercado futuro e eficiência no campo formam o tripé para enfrentar a safra 26/27 com segurança e rentabilidade.

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Por: Michelle Jardim
Fonte: Notícias Agrícolas

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