Açúcar sobe com apoio do petróleo, mas margens seguem pressionadas
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Os preços do açúcar fecharam esta terça-feira (17) em alta nas bolsas internacionais, ainda sustentados pelos ganhos do petróleo, que seguem influenciando o direcionamento da produção entre açúcar e etanol.
Na Bolsa de Nova Iorque, os contratos registraram valorização consistente. O maio/26 avançou 0,26 cent (+1,83%), encerrando a 14,45 cents/lbp. O julho/26 subiu 0,24 cent (+1,67%), para 14,62 cents/lbp. O outubro/26 teve alta de 0,23 cent (+1,56%), fechando a 15,01 cents/lbp, enquanto o março/27 também ganhou 0,23 cent (+1,49%), terminando cotado a 15,70 cents/lbp.
Em Londres, o movimento foi ainda mais intenso. O maio/26 disparou US$ 12,30 (+2,97%), encerrando a US$ 426,00 por tonelada. O agosto/26 subiu US$ 7,50 (+1,80%), para US$ 425,10 por tonelada. O outubro/26 avançou US$ 6,50 (+1,54%), fechando a US$ 427,50 por tonelada, enquanto o dezembro/26 também teve alta de US$ 6,50 (+1,54%), encerrando a sessão a US$ 429,50 por tonelada.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o coordenador comercial da Usina Della Coletta, Leonardo Silvestre, destacou que, apesar do movimento recente de alta, as margens do setor seguem pressionadas. Segundo ele, a combinação de preços ainda relativamente baixos com a variação cambial desfavorável limita a rentabilidade das usinas.
De acordo com o especialista, com o dólar nos níveis atuais, seria necessário que o açúcar bruto em Nova Iorque estivesse acima de 16 cents/lbp para garantir margens em torno de 10%. Considerando a projeção do Banco Central de um câmbio próximo a R$ 5,40 neste ano, o preço do adoçante precisaria alcançar cerca de 15,71 cents/lbp para atingir esse patamar, enquanto uma margem de 50% exigiria cotações próximas de 21,42 cents/lbp.
Silvestre também aponta fatores que podem sustentar uma visão mais otimista para os preços. Entre eles, está a escalada do conflito envolvendo o Irã, que levou o petróleo a níveis próximos de US$ 100 por barril. Esse movimento tende a encarecer os combustíveis fósseis no Brasil, elevando a competitividade do etanol e, consequentemente, influenciando o mercado de açúcar.
Por outro lado, fundamentos de oferta seguem no radar. A expectativa é de aumento na produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27, com estimativas entre 620 e 630 milhões de toneladas, acima do ciclo anterior, que deve ficar abaixo de 610 milhões de toneladas. Ainda assim, o início da próxima temporada tende a ser mais direcionado ao etanol, diante das condições mais favoráveis para o biocombustível.
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