Açúcar aprofunda perdas e cai 1% com projeção de excedente global e safra robusta na Índia
Nesta quinta-feira (05), o mercado do açúcar mantém a trajetória baixista e intensifica as perdas, com recuos que superam 1% em alguns contratos. Em Nova Iorque, o vencimento março/26 é negociado a 14,34 cents de dólar por libra-peso, uma queda de 0,69%. A pressão é ainda maior nos prazos mais longos: os contratos de maio e julho operam, respectivamente, a 13,90 cents (-1,07%) e 13,89 cents (-1,00%), perdendo importantes suportes técnicos. Em Londres, a commodity acompanha o pessimismo, sendo precificada a US$ 409,00 por tonelada, um recuo de 0,68%.
As cotações são pressionadas pela consolidação de um cenário de ampla oferta global. Analistas da Czarnikow reforçaram esse sentimento ao projetar um excedente global massivo de 8,3 milhões de toneladas para a safra atual (2025/26), com a expectativa de que a sobra de produto persista no ciclo 2026/27, estimado em 3,4 milhões de toneladas. Esse volume excessivo dificulta qualquer tentativa de recuperação consistente dos preços.
Além disso, o foco do mercado está voltado para a Ásia. Dados da Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA) indicam que a produção na Índia disparou 22% entre 1º de outubro e 15 de janeiro, totalizando 15,9 milhões de toneladas. Com a estimativa total da safra elevada para 31 milhões de toneladas e uma redução no desvio de cana para etanol, a disponibilidade de açúcar aumentou. Segundo a Reuters, embora uma autoridade do setor tenha sinalizado hoje que as usinas talvez não preencham toda a cota de exportação permitida de 1,5 milhão de toneladas, Deepak Ballani, diretor-geral da ISMA, confirmou que os embarques devem superar a marca de 1 milhão de toneladas, mantendo a Índia ativa no mercado internacional.