Açúcar cai nas bolsas internacionais e amplia perdas na semana

Publicado em 10/04/2026 16:49
Mercado atinge mínimas recentes com influência da ìdiae tensão no Oriente Médio.

A semana encerrou com os preços do açúcar em queda nas principais bolsas internacionais. Nesta sexta-feira (10), os contratos negociados em Nova York e Londres seguiram a tendência de baixa, pressionados pelo cenário geopolítico global e pela ampla oferta da commodity.
Em Nova York, o açúcar recuou 11 pontos, sendo negociado a 13,75 cents por libra-peso. Pela manhã, a cotação chegou a operar estável, mas perdeu força ao longo do dia.

Já na bolsa de Londres, houve queda de 27 pontos, com o açúcar cotado a US$ 413,80 por tonelada.

Os preços seguem enfraquecidos, dando continuidade a um movimento de baixa que já dura uma semana. Em Nova York, a commodity atingiu o menor nível em cinco semanas, enquanto em Londres os valores recuaram ao menor patamar em quatro semanas. O principal fator de pressão continua sendo a percepção de ampla oferta global.

No cenário internacional, declarações do governo da Índia também influenciaram o mercado. Na terça-feira, o secretário de Alimentos do país afirmou que não há planos para restringir as exportações de açúcar neste ano, afastando temores de que a Índia pudesse redirecionar mais produto para a produção de etanol, em meio às incertezas no fornecimento de petróleo decorrentes da guerra com o Irã.
Além disso, o aumento da produção no Brasil reforça o viés de baixa das cotações internacionais. 

Por outro lado, fatores geopolíticos seguem no radar. O fechamento do Estreito de Ormuz, segundo a Covrig Analytics, reduziu em cerca de 6% o comércio global de açúcar, ao restringir o fluxo necessário para a produção de açúcar refinado, o que adiciona volatilidade ao mercado.
De acordo com análise da StoneX, a safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil começa em uma condição mais equilibrada, após avanço relevante nas fixações de açúcar por parte dos produtores, movimento que reduz a pressão vendedora que vinha limitando altas mais expressivas nos preços internacionais. 

Depois de registrar um atraso de até 20 pontos percentuais nas fixações em relação ao mesmo período do ciclo anterior, os produtores aproveitaram a janela de alta observada em março para acelerar as vendas. O volume fixado avançou de 41,8% para 59,5%, reduzindo a defasagem para cerca de 10 pontos percentuais, frente aos 68,7% registrados no fim de março de 2025.

O ambiente de preços mais firmes no mês passado foi impulsionado, em parte, pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio, que levou à redução de posições vendidas por agentes especulativos. Ao mesmo tempo, produtores ainda atrasados nas fixações aproveitaram a maior liquidez para avançar nas negociações. 

Na prática, esse movimento limitou uma alta mais expressiva das cotações, já que a oferta adicional oriunda das fixações compensou parte da pressão compradora. Ainda assim, a recomposição do ritmo de vendas altera a dinâmica do mercado.
“O mercado passa a operar em uma condição mais equilibrada, com menor resistência do lado produtor a movimentos de alta”, afirmou a consultora em gerenciamento de riscos da StoneX, Nathalia Bruni. 

Segundo a consultoria, a defasagem nas fixações vinha funcionando como um teto informal para os preços. Com a redução desse atraso, esse fator perde força, o que pode abrir espaço para movimentos mais sustentados de alta, caso surjam novos gatilhos no mercado.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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