Açúcar volta a subir nas bolsas e mercado mantém foco nos riscos para a oferta global
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Depois de dois pregões consecutivos de baixa, os preços do açúcar voltam a operar em alta nesta terça-feira (14) nas principais bolsas internacionais. O mercado busca recuperação, mas segue acompanhando de perto os fundamentos da oferta global, com destaque para a projeção de déficit na safra 2026/27 e os riscos climáticos que ainda ameaçam importantes regiões produtoras.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,85 cents por libra-peso, alta de 10 pontos. O vencimento março/27 avançava 11 pontos, cotado a 15,77 cents por libra-peso.
Na Bolsa de Londres, os contratos também registravam valorização. O vencimento agosto era negociado a US$ 466,70 por tonelada, avanço de 360 pontos, enquanto o contrato outubro subia 410 pontos, para US$ 461,90 por tonelada.
Na sessão anterior, as cotações encerraram em queda pelo segundo pregão consecutivo. O avanço das chuvas da temporada de monções na Índia reduziu parte das preocupações com a oferta global e pressionou os preços. Ainda assim, a forte alta do petróleo limitou perdas mais expressivas ao elevar a competitividade do etanol frente ao açúcar.
Apesar do alívio proporcionado pelas chuvas na Índia, o mercado continua monitorando os riscos para a oferta mundial. A consultoria Czarnikow revisou recentemente sua estimativa para a safra global 2026/27 e passou a projetar um déficit de 600 mil toneladas de açúcar, principalmente em razão da redução da produção na União Europeia.
Segundo a consultoria, a intensa onda de calor que atinge o continente comprometeu o desenvolvimento da beterraba sacarina, levando à revisão da estimativa de produção do bloco para 13,9 milhões de toneladas. Embora os estoques remanescentes da safra anterior reduzam o risco de escassez no curto prazo, a empresa avalia que o mercado terá uma margem menor para absorver eventuais perdas em outros grandes produtores ao longo da temporada.
Outro fator que permanece no radar dos investidores é o El Niño. Na última semana, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, elevou sua previsão para um evento de intensidade forte e não descartou a possibilidade de evolução para um episódio muito forte nos próximos meses.
O fenômeno climático costuma provocar seca e temperaturas elevadas em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, ao mesmo tempo em que pode favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil. Esse cenário continua sendo acompanhado de perto pelo mercado, diante do potencial impacto sobre a produção e a oferta mundial da commodity.
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