Açúcar opera em baixa após avanço impulsionado pelo etanol no Brasil
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Depois da forte valorização registrada na sessão anterior, os preços do açúcar operam em queda nesta quarta-feira (15) nas principais bolsas internacionais. O movimento reflete um ajuste técnico do mercado, com investidores realizando lucros, enquanto os fundamentos ligados à oferta global seguem dando sustentação às cotações.
Por volta das 11h40 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,77 cents por libra-peso, queda de 11 pontos. O vencimento março/27 recuava 9 pontos, cotado a 15,71 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato agosto era negociado a US$ 450,80 por tonelada, baixa de 126 pontos. O vencimento outubro era comercializado a US$ 460,00 por tonelada, recuo de 250 pontos.
Na véspera, os contratos do açúcar encerraram em alta após o governo brasileiro aprovar o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. A medida reforçou a expectativa de maior demanda pelo biocombustível e de um direcionamento maior da cana para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
O principal fator de sustentação foi a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. O Ministério de Minas e Energia também sinalizou que a mudança poderá se tornar permanente.
A expectativa é que a maior demanda por etanol leve as usinas brasileiras a ampliar a produção do biocombustível em detrimento do açúcar, reduzindo a oferta da commodity para exportação.
Outro fator de suporte continua vindo do mercado de energia. A valorização recente do petróleo aumenta a competitividade do etanol, reforçando o incentivo para que as usinas destinem uma parcela maior da cana à produção do biocombustível.
Clima na Índia e posição dos fundos seguem no radar
Apesar da melhora recente das cotações, o mercado continua acompanhando atentamente as condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit de chuvas da temporada de monções recuou para 19% abaixo da média até 13 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho. O avanço das precipitações reduziu parte das preocupações com a oferta global, mas o comportamento do clima segue sendo monitorado pelos investidores.
Outro ponto de atenção é o posicionamento dos fundos de investimento na Bolsa de Londres. Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), os fundos ampliaram em 10.368 contratos suas posições compradas em açúcar branco na semana encerrada em 7 de julho, alcançando um recorde de 58.131 posições líquidas compradas. Esse elevado volume aumenta a possibilidade de oscilações nas cotações caso parte dos investidores opte por vender contratos para garantir os ganhos acumulados nas últimas semanas.
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