Açúcar encerra semana em alta com suporte do petróleo e moeda brasileira
A semana terminou com valorização para os preços do açúcar nas principais bolsas internacionais, refletindo um conjunto de fatores que seguem no radar do mercado sucroenergético: câmbio, petróleo e ajustes nas projeções de oferta global.
Nesta sexta-feira (24), o contrato maio do açúcar bruto em Nova York avançou 33 pontos, encerrando cotado a 14,11 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrou alta mais expressiva, subindo 780 pontos e fechando a US$ 428,00 por tonelada.
Com isso, os preços estenderam os ganhos da semana, com Nova York atingindo o maior nível em sete dias e Londres renovando máximas em duas semanas. O movimento reflete, principalmente, o reposicionamento de fundos e investidores diante de mudanças no cenário macroeconômico e fundamental.
A valorização recente do real frente ao dólar tem sido um dos principais vetores de sustentação. A moeda brasileira atingiu os maiores níveis em cerca de dois anos, reduzindo a atratividade das exportações e incentivando o fechamento de posições vendidas por parte de players internacionais. Esse cenário tende a restringir a oferta externa, especialmente considerando o peso do Brasil como maior exportador global de açúcar.
No campo fundamental, o mercado também reagiu às revisões nas estimativas de produção e balanço global. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que a safra 2026/27 do Brasil alcance 42,5 milhões de toneladas, queda de cerca de 3% em relação ao ciclo anterior. A redução está diretamente ligada ao maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol, movimento que ganha força em momentos de preços mais elevados dos combustíveis.
Além disso, consultorias internacionais vêm reduzindo suas projeções de excedente global. A Covrig Analytics revisou sua estimativa para 2026/27 de 1,4 milhão para 800 mil toneladas, enquanto a Czarnikow também ajustou seus números, reduzindo o superávit projetado tanto para 2025/26 quanto para 2026/27. Esse enxugamento do balanço global reforça a percepção de um mercado menos folgado, oferecendo suporte adicional às cotações.
No Brasil, o início da safra 2026/27 no Centro-Sul também entra no radar dos agentes. Apesar de um começo mais lento em algumas regiões devido a condições climáticas, a expectativa é de uma moagem robusta ao longo da temporada. Ainda assim, o mix de produção, ou seja, a proporção de cana destinada ao açúcar versus etanol será determinante para o comportamento dos preços. Com margens mais atrativas no biocombustível, há tendência de manutenção de um mix mais alcooleiro, limitando a produção do adoçante.
Petróleo segue como principal vetor de suporte
O avanço do petróleo continua sendo peça-chave para o mercado de açúcar. O barril do tipo Brent voltou a subir e alcançou o maior patamar em mais de duas semanas, sendo negociado acima de US$ 106, com valorização superior a 4% no período.
A relação é direta: com o petróleo mais caro, o etanol se torna mais competitivo frente à gasolina, especialmente no Brasil. Isso incentiva as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Esse cenário reforça o viés de sustentação para os preços, em um momento em que o mercado também monitora fatores como clima nas principais regiões produtoras, demanda global e o comportamento dos fundos especulativos nas bolsas.
Dessa forma, as cotações seguem sensíveis ao equilíbrio entre oferta e demanda, com o mercado da cana-de-açúcar cada vez mais integrado aos movimentos de energia e câmbio, consolidando um ambiente de maior volatilidade, mas também de oportunidades para os agentes do setor.