Açúcar fecha em queda e Nova York atinge mínima de sete semanas com expectativa de trégua entre EUA e Irã

Publicado em 12/06/2026 16:10
Possível acordo no Oriente Médio pressiona as cotações, mas menor volume de chuvas na Índia e riscos climáticos associados ao El Niño limitam perdas mais acentuadas.

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Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (12) em baixa nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, os contratos atingiram o menor patamar em sete semanas, pressionados pelas expectativas de um acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã, o que poderia aliviar gargalos logísticos e favorecer o fluxo global da commodity.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato julho fechou com queda de 11 pontos, cotado a 14,23 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco recuou 170 pontos, encerrando o dia a US$ 444,30 por tonelada.

Possível acordo entre EUA e Irã pressiona mercado

Segundo analistas, a perspectiva de um entendimento temporário entre Estados Unidos e Irã reduziu parte dos prêmios de risco que vinham sustentando os preços das commodities nas últimas semanas.

De acordo com a consultoria Covrig Analytics, o fechamento do Estreito de Ormuz restringia cerca de 6% do comércio mundial de açúcar. Com a possibilidade de normalização do tráfego marítimo na região, o mercado passou a precificar um cenário de maior fluidez para as exportações globais da commodity.

Índia oferece suporte às cotações

Apesar da pressão baixista, o mercado encontrou algum suporte nos dados climáticos da Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.

O Departamento Meteorológico da Índia informou nesta sexta-feira que o volume acumulado de chuvas das monções estava 26% abaixo da média histórica até 12 de junho. A temporada de monções, fundamental para a agricultura do país, se estende de junho a setembro.

Menores volumes de precipitação aumentam as preocupações com a produtividade da cana-de-açúcar e, consequentemente, com a oferta futura da commodity.

El Niño segue no radar do mercado

As atenções dos investidores também continuam voltadas para os riscos climáticos após a confirmação oficial do El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Segundo a agência, existe 63% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte nos próximos meses, podendo figurar entre os eventos mais intensos desde o início dos registros modernos.

O El Niño costuma provocar redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia. Na Índia, inclusive, a previsão para a temporada de monções já foi revisada para baixo, passando de 92% para 90% da média histórica.

Mercado acompanha revisão do balanço global

Outro fator que segue dando sustentação às cotações é a revisão feita pela consultoria Czarnikow para o balanço global de açúcar da safra 2026/27.

A empresa reduziu sua estimativa de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. A revisão considera o aumento da produção de etanol pelas usinas brasileiras, favorecido pelos preços mais elevados do petróleo, o que pode reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado internacional.

Mesmo com a pressão exercida pelo cenário atual de ampla oferta global, os investidores seguem monitorando de perto os riscos climáticos e os impactos da destinação de cana para a produção de biocombustíveis, fatores que podem alterar o equilíbrio do mercado nos próximos meses.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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