Açúcar fecha sem direção única entre temor climático e pressão da oferta global
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Os preços do açúcar encerraram a quinta-feira (11) em direções opostas nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, o contrato julho fechou com queda de 5 pontos, negociado a 14,34 cents por libra-peso. Já em Londres, o contrato agosto do açúcar branco avançou 240 pontos, encerrando o dia cotado a US$ 446,30 por tonelada.
O mercado encontrou suporte após a consultoria Czarnikow revisar suas projeções para o balanço global da commodity na temporada 2026/27. A empresa reduziu sua estimativa de um excedente de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 10 mil toneladas, citando a maior destinação de cana para a produção de etanol no Brasil, favorecida pela valorização recente dos preços do petróleo.
Apesar desse fator de sustentação, os fundamentos de oferta continuam pesando sobre as cotações. A produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O desempenho foi impulsionado pelo aumento da qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Outro fator baixista continua vindo da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar somaram 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril, crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado.
El Niño entra no radar do mercado
As preocupações climáticas também seguem no radar dos investidores. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, confirmou nesta quinta-feira a formação do fenômeno El Niño.
Segundo a agência, há 63% de probabilidade de que o evento alcance intensidade muito forte nos próximos meses, com potencial para figurar entre os mais intensos já registrados desde 1950.
O fenômeno costuma reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia. Na Índia, por exemplo, o serviço meteorológico já reduziu a previsão de precipitação para a temporada de monções entre junho e setembro, de 92% para 90% da média histórica.
Com isso, embora a ampla oferta global siga pressionando os preços, o mercado acompanha com atenção os riscos climáticos para a próxima safra, especialmente diante da possibilidade de um El Niño mais intenso durante o segundo semestre.
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