Açúcar abre semana com movimentos opostos nas bolsas e petróleo no radar
O mercado internacional do açúcar iniciou a semana com comportamento divergente entre as principais bolsas, refletindo ajustes técnicos após fortes perdas recentes e a influência direta do petróleo sobre as cotações.
Na bolsa de Nova Iorque, os contratos operaram em alta. O vencimento de maio avançou 80 pontos, sendo negociado a 14,01 cents por libra-peso, enquanto o de julho subiu 40 pontos, cotado a 14,15 cents por libra-peso.
O movimento indica uma recuperação após o açúcar atingir, na semana passada, a mínima em cerca de cinco anos. A alta também interrompe uma sequência de três semanas consecutivas de perdas, em um cenário de recomposição de posições no mercado.
Especialistas avaliam que o açúcar voltou a se aproximar do patamar de 14 cents por libra-peso diante das incertezas geopolíticas envolvendo o Irã, que seguem sustentando os preços do petróleo, fator diretamente ligado ao mercado sucroenergético.
Londres em queda
Na contramão de Nova Iorque, o mercado de Londres registrava queda no início do dia. Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o contrato de agosto recuava 230 pontos, sendo negociado a US$ 433,00 por tonelada. O vencimento de outubro caía 100 pontos, cotado a US$ 431,20 por tonelada.
A pressão pode estar relacionada a movimentos de realização de lucros, após altas recentes, além de ajustes diante do cenário global ainda marcado por ampla oferta.
Petróleo segue como suporte
Os preços do petróleo operavam em alta nesta segunda-feira (27), voltando a se aproximar dos US$ 100 por barril, em meio às expectativas envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
Com o petróleo mais caro, o etanol ganha competitividade frente aos combustíveis fósseis, incentivando as usinas a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível, o que reduz a oferta de açúcar no mercado global.
Clima e fundamentos
Do lado da oferta, fatores climáticos e operacionais também entram no radar. Atrasos na colheita em países como Argentina e África do Sul, além de problemas no plantio de beterraba em regiões como Estados Unidos, Holanda e Bélgica, podem impactar a oferta global.
No Brasil, o clima mais seco em áreas do Centro-Sul tem favorecido o avanço inicial da colheita de cana-de-açúcar, o que pode acelerar a entrada da nova safra no mercado.
Além disso, o governo brasileiro deve avaliar, no próximo dia 7 de maio, uma proposta para elevar a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, medida que, se aprovada, pode aumentar a demanda pelo biocombustível e influenciar o mix produtivo das usinas.