Açúcar fecha em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres com pressão da safra brasileira
Os preços do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (27) em queda nas bolsas internacionais de Nova Iorque e Londres, após operarem de forma mista ao longo do dia. O mercado segue pressionado pelas perspectivas de uma safra recorde no Brasil, que limita o potencial de valorização no curto prazo, apesar do suporte vindo da alta do petróleo e da demanda pelo adoçante.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato maio recuou 10 pontos, sendo negociado a 13,97 cents por libra-peso. Já o açúcar branco negociado na ICE Futures Europe, em Londres, registrou queda de 820 pontos no contrato agosto, cotado a US$ 427,10 por tonelada.
Durante a manhã, os preços chegaram a subir e atingiram as máximas de duas semanas em Nova Iorque e de três semanas em Londres, impulsionados pela valorização da gasolina nos mercados internacionais. A alta do combustível tende a fortalecer o etanol, o que pode levar usinas ao redor do mundo a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.
Ainda assim, o cenário de ampla oferta global segue predominante. O avanço da safra brasileira, com expectativa de produção elevada, continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as cotações.
Nas últimas semanas, o mercado já vinha em trajetória de queda. Em 17 de abril, o contrato mais próximo em Nova Iorque atingiu o menor nível em cerca de cinco anos e meio, refletindo o excesso de oferta e a demanda mais fraca. Em Londres, o vencimento de maio registrou entregas de 472.650 toneladas no dia 15 de abril, o maior volume para o período em 14 anos, sinalizando consumo mais lento.
Clima e fundamentos
Do lado da oferta, fatores climáticos e operacionais também seguem no radar dos investidores. Atrasos na colheita em países como Argentina e África do Sul, além de problemas no plantio de beterraba em regiões como Estados Unidos, Holanda e Bélgica, podem impactar a oferta global.
No Brasil, o clima mais seco em áreas do Centro-Sul tem favorecido o avanço da colheita de cana-de-açúcar, o que pode acelerar a entrada da nova safra no mercado e reforçar a pressão sobre os preços.