Açúcar despenca nas bolsas nesta 5ª feira com pressão do petróleo

Publicado em 07/05/2026 09:49
Recuo da energia reduz competitividade do etanol, favorece produção de açúcar e pesa sobre as bolsas internacionais

Os preços do açúcar registraram forte queda nesta quinta-feira (7) nas bolsas de Nova Iorque e Londres, pressionados principalmente pelo recuo expressivo do petróleo e pela perspectiva de maior oferta global da commodity.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de julho recuou 230 pontos e era negociado a 14,58 cents por libra-peso por volta das 9h30 (horário de Brasília). O vencimento de outubro também caiu 250 pontos, sendo cotado a 15,05 cents por libra-peso.

Em Londres, o movimento seguiu na mesma direção. O contrato de agosto era negociado a US$ 430,90 por tonelada, com queda de 630 pontos. Já o contrato de outubro recuava 610 pontos, para US$ 431,00 por tonelada.

Na véspera, o mercado já havia encerrado em baixa, com o açúcar em Londres atingindo o menor nível em uma semana.

Petróleo reduz suporte ao açúcar

A principal pressão sobre o mercado veio da queda de cerca de 4% nos preços do petróleo, movimento que reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis.

Com a energia mais barata, o incentivo para a produção de etanol diminui, levando usinas, especialmente no Brasil, a destinarem uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar. Esse redirecionamento aumenta a percepção de oferta global e pressiona as cotações internacionais.

A relação entre petróleo e açúcar tem sido um dos principais fatores de volatilidade do mercado nas últimas semanas, especialmente diante das oscilações provocadas pelas tensões geopolíticas envolvendo Irã, Estados Unidos e Oriente Médio.
Índia amplia pressão sobre o mercado

Além do petróleo, o mercado também segue atento ao cenário da Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
Recentemente, o secretário de Alimentos do país afirmou que o governo indiano não pretende restringir as exportações de açúcar neste ano, reduzindo as preocupações de uma possível limitação da oferta global.

Em fevereiro, o governo da Índia autorizou a exportação adicional de 500 mil toneladas de açúcar para a safra 2025/26, além das 1,5 milhão de toneladas já aprovadas anteriormente.

O cenário ganhou ainda mais peso após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projetar um excedente de 2,5 milhões de toneladas de açúcar na Índia para a safra 2026/27, o primeiro superávit em dois anos.

A perspectiva reforça o viés baixista para o mercado internacional, que já vinha pressionado pela expectativa de ampla oferta global e demanda mais enfraquecida.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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