Açúcar recua nas bolsas com avanço das exportações da Tailândia e mercado atento ao El Niño

Publicado em 26/05/2026 11:43
Commodity opera em queda em Nova Iorque e Londres nesta terça-feira (29), pressionada pela maior oferta tailandesa, enquanto riscos climáticos seguem sustentando o mercado no cenário global.

Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (29), pressionados pelo avanço das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial da commodity. Apesar do movimento baixista, o mercado continua monitorando os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem reduzir a oferta global nas próximas safras.

Em Nova Iorque, por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto recuava 9 pontos, negociado a 14,61 cents por libra-peso. O vencimento outubro também registrava baixa de 9 pontos, cotado a 15,08 cents por libra-peso.

Em Londres, os contratos do açúcar branco seguiram a mesma direção. O contrato agosto caía 120 pontos, negociado a US$ 441,20 por tonelada. Já o outubro recuava 120 pontos, vendido a US$ 440,70 por tonelada.
Exportações da Tailândia pressionam mercado

O mercado repercute o forte desempenho das exportações tailandesas de açúcar. Entre janeiro e abril de 2026, os embarques do país avançaram 29% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 1,6 milhão de toneladas.

O aumento da oferta internacional reforça a percepção de disponibilidade elevada no curto prazo e acaba limitando movimentos mais consistentes de recuperação das cotações nas bolsas internacionais.

El Niño segue no radar do mercado

Por outro lado, as preocupações com o fenômeno El Niño continuam dando sustentação aos preços. O mercado teme que a seca associada ao evento climático possa comprometer a produção de importantes origens produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com persistência até o fim do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um “Super El Niño”.

As projeções da Organização Internacional do Açúcar (ISO) também seguem no radar dos investidores. A entidade estima que a produção global de açúcar em 2026/27 recue 1,15%, para 180 milhões de toneladas, enquanto o mercado pode registrar déficit global de aproximadamente 262 mil toneladas, reflexo principalmente dos impactos climáticos sobre Índia e Tailândia.

Mercado interno segue lento

No mercado físico brasileiro, o ritmo das negociações continua enfraquecido. Segundo levantamento do Cepea, o mercado spot paulista de açúcar cristal operou lentamente na última semana, com compradores retraídos e aguardando possíveis novas quedas nos preços.

Pesquisadores do Cepea destacam que, embora o cenário ainda indique oferta abundante ao longo da safra, projeções recentes apontam redução do ATR médio e um mix de produção mais direcionado ao etanol, fatores que podem limitar a disponibilidade de açúcar no curto prazo.


 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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