Açúcar opera em alta com ajuste técnico e clima no radar do mercado
As cotações do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira (23), em um movimento de recuperação após as perdas registradas na sessão anterior.
Em Nova York, por volta das 11h (horário de Brasília), o contrato julho avançava 5 pontos, negociado a 13,40 cents por libra-peso. O vencimento outubro subia 7 pontos, cotado a 13,91 cents por libra-peso.
Em Londres, o mercado também registrava ganhos. O contrato agosto do açúcar branco avançava 140 pontos, a US$ 441,80 por tonelada, enquanto o outubro subia 170 pontos, sendo negociado a US$ 434,40 por tonelada.
O movimento desta manhã ocorre após a queda da véspera, quando o mercado foi pressionado principalmente pelo recuo do petróleo, que reduziu o suporte ao etanol e elevou a expectativa de maior direcionamento da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global no curto prazo.
Também no radar dos investidores estão fatores logísticos e climáticos. A reabertura do Estreito de Ormuz segue sendo acompanhada como elemento potencialmente baixista, ao reduzir custos de transporte marítimo e importação da commodity.
Por outro lado, o clima continua sustentando parte das cotações. Na semana passada, os preços chegaram ao maior nível em uma semana, apoiados por preocupações com a safra da Índia. Dados do Departamento Meteorológico indiano indicam que as chuvas de monção estavam 43% abaixo da média até 22 de junho, em um período crítico para o desenvolvimento da cana.
As atenções também seguem voltadas ao fenômeno El Niño. A confirmação reforça o risco de redução de chuvas em grandes regiões produtoras como Brasil, Índia e Tailândia. A NOAA, dos Estados Unidos, estima 67% de chance de ocorrência de um “Super El Niño”, o que mantém o mercado em alerta quanto à oferta global.
Safra brasileira
No Brasil, maior produtor e exportador mundial de açúcar, a safra 2026/27 deve ser a segunda maior da história, com alta estimada de 5,3% em relação ao ciclo anterior, ultrapassando 700 milhões de toneladas, segundo a Conab.
No Centro-Sul, a produção de etanol avançou 31,55% no acumulado dos dois primeiros meses da safra, somando 7,5 bilhões de litros, refletindo maior direcionamento da cana para o biocombustível e avanço do etanol de milho, que atingiu 1,57 bilhão de litros no período.
A alocação de cana para etanol também aumentou, passando de 49,9% na safra anterior para 58,58% no início do atual ciclo, reduzindo a fatia destinada ao açúcar.
Apesar do avanço da produção, as vendas de etanol pelas usinas do Centro-Sul somaram 5,66 bilhões de litros em abril e maio, queda de 2,1% na comparação anual. Ainda assim, a Unica destacou melhora recente na demanda, com alta de 10% nas vendas por dia útil na segunda quinzena de maio.
Segundo o setor, dados da ANP mostram que o etanol manteve competitividade frente à gasolina em diversos estados produtores, sustentando o consumo no mercado interno.