Açúcar reage nas bolsas internacionais com suporte do petróleo
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Os preços do açúcar iniciaram esta terça-feira (29) em recuperação nas principais bolsas internacionais, após atingirem na semana passada os menores níveis em cinco anos. O movimento interrompe uma sequência de três semanas consecutivas de perdas. Os preços mais elevados do petróleo tendem a direcionar a produção de cana para o etanol.
Em Nova York, o contrato com vencimento em maio avançou 26 pontos, negociado a 14,09 cents por libra-peso. Já o contrato julho subiu 27 pontos, cotado a 14,24 cents por libra-peso.
Na bolsa de Londres, o cenário também foi de valorização. O contrato agosto registrou alta de 640 pontos, sendo negociado a US$ 433,50 por tonelada. O vencimento outubro avançou 630 pontos, com preço de US$ 432,30 por tonelada.
A sustentação das cotações está diretamente ligada ao mercado de energia. Com o petróleo em alta, usinas tendem a priorizar a produção de etanol em detrimento do açúcar, reduzindo a oferta do adoçante e dando suporte aos preços. Esse efeito é considerado “altista” para o mercado.
Além disso, problemas na oferta global também entram no radar. Há relatos de atrasos na colheita na Argentina e na África do Sul, enquanto dificuldades no plantio de beterraba afetam importantes produtores como Estados Unidos, Holanda e Bélgica, contribuindo para um cenário de maior incerteza produtiva.
No Brasil, o mercado acompanha ainda a política energética. O governo informou que a proposta de aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, será analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética no próximo dia 7 de maio. A medida, se aprovada, pode reforçar ainda mais a demanda pelo biocombustível.
Petróleo em alta reforça viés positivo
O petróleo voltou a subir nesta terça-feira (28), estendendo uma sequência de sete sessões consecutivas de ganhos para o Brent. Os contratos para julho superaram os US$ 104, cotados a US$ 104,41, com alta de 2,67% no dia. Já o WTI para junho avançou 3,29%, alcançando US$ 99,54. O movimento fortalece o apelo do etanol e, por consequência, impacta o mercado açucareiro.
Mercado interno segue com baixa liquidez
No Brasil, o mercado físico de açúcar cristal continua apresentando baixa liquidez, especialmente no estado de São Paulo. Segundo o Cepea, o cenário reflete uma postura mais cautelosa dos agentes, agravada pelo feriado de Tiradentes, que reduziu a movimentação na semana anterior.
Do lado da demanda, compradores seguem afastados, apostando em possíveis quedas de preços diante do avanço da safra 2026/27 e da ampliação gradual da oferta. Já pelo lado da produção, o aumento da moagem nas usinas reforça a percepção de maior disponibilidade no curto prazo.
No cenário internacional, porém, os preços do açúcar demerara negociados em Nova York apresentaram leve alta recente, com destaque para o aumento das importações chinesas, que também contribui para dar suporte às cotações globais.
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