Açúcar fecha misto entre pressão logística e preocupações com a safra da Índia
Os preços do açúcar encerraram o pregão desta quinta-feira (25) sem direção única nas bolsas internacionais. Após atingir mínimas de dois meses no início da semana, o mercado encontrou algum suporte nas preocupações com a oferta global, embora fatores ligados à logística e ao mercado de energia continuem limitando uma recuperação mais consistente das cotações.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou em alta de 13 pontos, negociado a 13,55 cents por libra-peso.
Já em Londres, o açúcar branco encerrou a sessão em baixa. O contrato agosto recuou 10 pontos, fechando a US$ 444,70 por tonelada.
O mercado segue repercutindo os efeitos da reabertura do Estreito de Ormuz, importante rota para o comércio global. A normalização do tráfego marítimo reduz preocupações com interrupções no abastecimento, além de contribuir para menores custos de frete, seguros e combustíveis. Esse cenário tende a diminuir os custos de importação do açúcar e é considerado um fator baixista para as cotações.
Outro elemento de pressão veio da valorização recente do dólar, que aumenta a competitividade das exportações de países produtores e pode estimular a oferta da commodity no mercado internacional.
Por outro lado, as preocupações com a safra da Índia continuam oferecendo sustentação aos preços. Dados do Departamento Meteorológico indiano mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções estava 42% abaixo da média histórica até 24 de junho. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
O período de monções, que vai de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país, segundo maior produtor mundial da commodity. Dessa forma, o mercado acompanha de perto os impactos que a escassez de chuvas pode provocar na produção indiana.
No Brasil, os fundamentos também seguem dando suporte às cotações. Dados da Unica apontam que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 somou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Além disso, houve uma mudança significativa no mix de produção das usinas. A parcela da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% há um ano. Em contrapartida, a participação do etanol avançou para 58,58%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.
Outro fator positivo veio da consultoria Czarnikow, que revisou sua projeção para o balanço global de açúcar da safra 2026/27. A estimativa passou de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras.
As atenções do mercado também permanecem voltadas ao fenômeno El Niño. O fenômeno está associado à redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.