Açúcar mantém alta nas bolsas com clima na Índia e oferta global no radar do mercado
Os preços do açúcar seguem em alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira (30), sustentados pelas preocupações com a safra da Índia e pelo cenário de oferta global mais apertada. O mercado continua acompanhando os impactos do déficit de chuvas durante a temporada de monções e os fundamentos da produção brasileira.
Por volta das 12h (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto avançava 3 pontos, cotado a 14,32 cents por libra-peso. O contrato outubro também operava em alta, negociado a 14,86 cents por libra-peso, com ganho de 8 pontos.
Em Londres, as cotações também registravam valorização. O contrato agosto era negociado a US$ 447,10 por tonelada, alta de 350 pontos.
Já o contrato outubro avançava 280 pontos, cotado a US$ 462,20 por tonelada.
O mercado permanece sustentado pelas preocupações com a oferta global. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 42% abaixo da média histórica até 29 de junho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra do país alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, investidores seguem atentos aos possíveis impactos da escassez de chuvas sobre a produção da Índia, segundo maior produtor mundial da commodity.
No Brasil, os fundamentos também seguem oferecendo suporte aos preços. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio na safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A entidade também destacou a mudança no mix de produção das usinas. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, frente aos 50,09% da safra passada, enquanto a parcela direcionada ao etanol aumentou para 58,38%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.
Na mesma linha, a consultoria Czarnikow revisou sua projeção para o balanço global de açúcar da safra 2026/27, reduzindo a estimativa de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. A revisão considera a expectativa de menor produção de açúcar no Brasil em razão do maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol.
Apesar da recuperação das cotações nos últimos pregões, o mercado continua monitorando os efeitos da reabertura do Estreito de Ormuz. A normalização da principal rota marítima da região tende a reduzir os custos de frete, seguros e combustíveis, fator que pode aliviar parte da pressão sobre os preços do açúcar no mercado internacional.