Açúcar mantém alta nas bolsas de valores e etanol ganha força nas usinas
Os preços do açúcar registraram alta na manhã desta terça-feira (5) nas principais bolsas internacionais, sustentados pelo avanço dos combustíveis e pela mudança no direcionamento da produção nas usinas.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de julho foi negociado a 15,32 cents por libra-peso, com alta de 30 pontos. Já o contrato de outubro avançou 40 pontos, cotado a 15,80 cents por libra-peso, por volta das 10h (horário de Brasília).
Em Londres, as cotações também operaram em alta. O contrato de agosto subiu 650 pontos, sendo negociado a US$ 453,00 por tonelada. O vencimento de outubro avançou 600 pontos, para US$ 452,70 por tonelada.
Gasolina impulsiona o mercado
O movimento de valorização foi puxado principalmente pela alta de cerca de 3% nos preços da gasolina, fator que impacta diretamente o setor sucroenergético.
Com os combustíveis fósseis mais caros, o etanol ganha competitividade, incentivando as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, em detrimento do açúcar. Esse redirecionamento reduz a oferta global do adoçante e dá suporte às cotações.
Déficit global
Além do fator energético, o mercado também reage a uma mudança importante nos fundamentos. A consultoria Green Pool revisou para cima o déficit mundial de açúcar na safra 2026/27, agora estimado em 4,30 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 1,66 milhão de toneladas.
A revisão reflete justamente a maior destinação de cana para etanol, cenário que tende a restringir a oferta global da commodity.
Brasil reforça tendência
No Brasil, maior produtor mundial, os dados recentes confirmam esse movimento. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a produção no Centro-Sul na primeira quinzena de abril da safra 2026/27 somou 647 mil toneladas, queda de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
No mesmo intervalo, a participação da cana destinada ao açúcar caiu de 44,7% para 32,9%, evidenciando uma mudança significativa no mix produtivo em favor do etanol.
As projeções também seguem nessa direção. A Companhia Nacional de Abastecimento estima que a produção brasileira de açúcar deve recuar 0,5% na safra 2026/27, totalizando 43,95 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2%, alcançando 29,25 bilhões de litros.
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