Açúcar amplia perdas e fecha no menor nível em cerca de duas semanas com melhora das chuvas na Índia

Publicado em 16/07/2026 16:28
Mercado foi pressionado pelo avanço das monções no segundo maior produtor mundial e pela venda de contratos por fundos de investimento; preocupações com o El Niño seguem no radar.

Depois de acumular forte valorização nas últimas semanas, os preços do açúcar ampliaram as perdas nesta quinta-feira (16) e encerraram o dia em queda nas principais bolsas internacionais. A melhora das chuvas de monção na Índia reduziu parte das preocupações com a oferta global, enquanto a venda de contratos por investidores intensificou o movimento de baixa.

Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro fechou cotado a 14,41 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco para outubro encerrou o pregão a US$ 454,60 por tonelada, com recuo de 620 pontos.

O principal fator de pressão continua sendo a melhora das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit de chuvas da temporada de monções caiu para 23% abaixo da média histórica até 15 de julho, uma recuperação significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.

A melhora das precipitações reduz, por enquanto, os temores de perdas na produção de cana-de-açúcar e, consequentemente, diminui a preocupação do mercado com uma possível restrição na oferta global da commodity.

Outro fator que contribuiu para a queda foi o movimento de venda de contratos por parte dos fundos de investimento. Após a forte valorização registrada nas últimas semanas, muitos investidores aproveitaram para realizar lucros, aumentando a pressão sobre as cotações, especialmente na Bolsa de Londres.

Segundo dados do relatório Commitment of Traders (COT), divulgados na última sexta-feira, os fundos ampliaram em 10.368 contratos suas posições compradas em açúcar branco negociado na ICE na semana encerrada em 7 de julho, alcançando um recorde de 58.131 posições líquidas compradas, o maior nível da série histórica iniciada em 2011.

El Niño mantém preocupação com a oferta global

Apesar do recuo desta semana, os fundamentos de longo prazo continuam sendo acompanhados de perto pelos agentes do mercado. Nas últimas três semanas, os preços haviam acumulado forte alta, impulsionados pelas preocupações com a oferta global. Em Nova Iorque, o açúcar atingiu o maior nível em cerca de dois meses, enquanto, em Londres, os contratos chegaram às máximas de aproximadamente dez meses.

O mercado segue atento aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. O fenômeno tende a provocar seca e temperaturas elevadas em importantes produtores, como Índia e Tailândia, além de favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil.

Na última semana, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o El Niño, formado recentemente no Oceano Pacífico equatorial, pode se tornar um dos episódios mais intensos das últimas décadas. Ao mesmo tempo, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua estimativa para as chuvas da temporada de monções, prevendo precipitações equivalentes a 90% da média histórica, abaixo dos 92% projetados anteriormente.

Embora a recuperação das chuvas tenha aliviado parte das preocupações imediatas, o comportamento do clima nos próximos meses continuará sendo determinante para as expectativas de produção e para a direção dos preços do açúcar no mercado internacional.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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