Açúcar reage nas bolsas internacionais após sequência de quedas; mercado acompanha clima na Índia e riscos do El Niño

Publicado em 17/07/2026 10:21
Após forte realização de lucros, contratos voltam a subir nesta sexta-feira; investidores seguem atentos às monções na Índia e às perspectivas para a oferta global

Os preços do açúcar voltam a operar em alta nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (17), recuperando parte das perdas registradas nos últimos pregões. O movimento ocorre após uma sequência de quedas provocada pela melhora das chuvas de monção na Índia e pela realização de lucros dos investidores, enquanto o mercado continua monitorando os fundamentos ligados à oferta global.

Por volta das 9h40 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque, o contrato com vencimento em outubro era negociado a 14,66 cents por libra-peso, alta de 22 pontos. O contrato março/2027 avançava 20 pontos, cotado a 15,57 cents por libra-peso.

Em Londres, o movimento também era positivo. O contrato outubro do açúcar branco era negociado a US$ 464,00 por tonelada, alta de 940 pontos, enquanto o contrato dezembro subia 820 pontos, para US$ 461,40 por tonelada.

Na sessão anterior, os preços ampliaram as perdas após a melhora das condições climáticas na Índia reduzir parte das preocupações com a oferta global. Além disso, investidores aproveitaram a forte valorização acumulada nas últimas semanas para vender contratos e garantir ganhos, pressionando as cotações.

O principal fator acompanhado pelo mercado continua sendo o comportamento das monções na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit de chuvas da temporada caiu para 23% abaixo da média histórica até 15 de julho, uma recuperação expressiva em relação aos 42% registrados no fim de junho.

Embora a melhora das precipitações alivie parte dos temores de perdas na safra indiana, os agentes seguem atentos à evolução do clima, já que o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Outro fator que pressionou o mercado nos últimos dias foi a realização de lucros por parte dos fundos de investimento. Após a expressiva alta registrada nas últimas semanas, muitos investidores reduziram posições, especialmente na Bolsa de Londres.

Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), divulgado na última semana, os fundos ampliaram em 10.368 contratos suas posições compradas em açúcar branco negociado na ICE, alcançando um recorde de 58.131 posições líquidas compradas. Esse elevado volume aumenta a volatilidade do mercado, já que novas vendas por parte dos investidores podem intensificar os movimentos de baixa.

El Niño continua sustentando preocupação com a oferta

Apesar da recuperação das chuvas na Índia, os fundamentos de longo prazo permanecem dando suporte às cotações. O mercado segue monitorando os possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar.

O fenômeno climático tende a provocar seca e temperaturas elevadas em importantes produtores, como Índia e Tailândia, ao mesmo tempo em que pode favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity.

Na última semana, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou a expectativa para um episódio de El Niño de forte intensidade, com possibilidade de evolução para um dos eventos mais intensos das últimas décadas. Paralelamente, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua projeção para as chuvas da temporada de monções, estimando precipitações equivalentes a 90% da média histórica, abaixo dos 92% previstos anteriormente.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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