Açúcar opera em leve queda após recuperação; mercado segue atento ao petróleo e ao clima na Índia

Publicado em 20/07/2026 11:54 e atualizado em 20/07/2026 12:58
Contratos recuam nas bolsas internacionais em movimento de ajuste, enquanto investidores monitoram a oferta global, a competitividade do etanol e o avanço das monções no segundo maior produtor mundial.

Os preços do açúcar operam em leve queda nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (20), após a forte recuperação registrada no último pregão. O mercado passa por um movimento de ajuste, mas continua sustentado pelos fundamentos ligados à oferta global, com destaque para a evolução das chuvas na Índia e o comportamento dos preços do petróleo.

Por volta das 11h50 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque, o contrato com vencimento em outubro era negociado a 14,79 cents por libra-peso, queda de 4 pontos. O contrato março/2027 recuava 4 pontos, cotado a 15,69 cents por libra-peso.

Na Bolsa de Londres, o contrato de outubro era negociado a US$ 465,90 por tonelada, baixa de 400 pontos. Já o contrato de dezembro era cotado a US$ 464,30 por tonelada, com recuo de 340 pontos.

Na sexta-feira, as cotações encerraram o dia em forte alta, impulsionadas pela valorização do petróleo. O contrato futuro do WTI avançou mais de 4% e atingiu o maior nível em cerca de um mês, fortalecendo a competitividade do etanol e aumentando a expectativa de que as usinas, principalmente no Brasil, direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível em detrimento do açúcar.

Esse cenário tende a reduzir a oferta da commodity no mercado internacional e deu sustentação aos contratos. Além disso, a alta do petróleo estimulou investidores que apostavam na queda dos preços a recomprar contratos, reforçando o movimento de recuperação observado no último pregão.

Clima na Índia continua no radar

Apesar do suporte vindo do mercado de energia, as atenções permanecem voltadas para as condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.

Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit de chuvas da temporada de monções caiu para 24% abaixo da média histórica até 17 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.

A recuperação das precipitações reduziu parte das preocupações com uma possível quebra de safra. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o comportamento do clima segue sendo um dos principais direcionadores das cotações.

Outro fator monitorado pelo mercado é o posicionamento dos fundos de investimento na Bolsa de Londres. Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições compradas em açúcar branco na semana encerrada em 14 de julho, elevando o saldo para um recorde de 58.847 posições líquidas compradas.

Na avaliação de analistas, esse elevado volume de posições pode aumentar a volatilidade das cotações, já que movimentos de realização de lucros tendem a provocar oscilações mais intensas.

Mesmo após a melhora recente das chuvas na Índia, os investidores seguem atentos aos riscos para a oferta global. Além das condições climáticas na Ásia, o mercado continua acompanhando os possíveis impactos do El Niño sobre importantes regiões produtoras, mantendo um viés de cautela para os próximos pregões.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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