Açúcar avança nas bolsas com mercado atento à Índia e às perspectivas da oferta global

Publicado em 21/07/2026 11:53
Cotações operam em alta nesta terça-feira, enquanto investidores seguem monitorando o clima na Índia, o comportamento do El Niño e o mercado interno brasileiro

As cotações do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira (22), em um movimento de recuperação após as leves perdas registradas no pregão anterior. O mercado continua acompanhando de perto as condições climáticas na Índia, a evolução do El Niño e as perspectivas para a oferta global da commodity, fatores que seguem ditando o comportamento dos preços.

Por volta das 11h40 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 14,85 cents por libra-peso, com alta de 3 pontos.

Em Londres (ICE Europe), os contratos também avançavam. O vencimento outubro era negociado a US$ 467,90 por tonelada, alta de 700 pontos, enquanto o contrato dezembro subia 900 pontos, para US$ 466,00 por tonelada.

Na sessão anterior, o mercado encerrou com leves perdas, pressionado pela melhora das chuvas de monção na Índia, que reduziu parte das preocupações com a oferta global. Ainda assim, a menor moagem de cana no Centro-Sul do Brasil e as incertezas em relação à próxima safra indiana limitaram quedas mais expressivas.

A principal atenção dos investidores permanece voltada para a Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 23% abaixo da média histórica até 20 de julho, uma melhora significativa frente aos 42% registrados no fim de junho. A recuperação das precipitações reduz, no curto prazo, o risco de perdas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Apesar disso, o mercado segue cauteloso. O Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, a evolução do clima continuará sendo determinante para as expectativas de produção.

Mercado acompanha Índia, El Niño e novas tarifas

Outro fator que mantém a volatilidade elevada é o posicionamento dos fundos de investimento na Bolsa de Londres. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições líquidas compradas na semana encerrada em 14 de julho, atingindo um recorde de 58.847 contratos. Segundo analistas, esse elevado volume aumenta a possibilidade de movimentos de realização de lucros, intensificando as oscilações dos preços.

Para Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o mercado continua precificando principalmente os riscos para a oferta nos próximos meses.

"O mercado de açúcar continua bastante atento às perspectivas para os próximos meses, especialmente diante dos riscos climáticos e das incertezas envolvendo a Índia. Embora ainda não exista qualquer decisão oficial, chama atenção o fato de o próprio setor indiano já discutir a possibilidade de o governo autorizar importações de açúcar para conter a alta dos preços domésticos."

Segundo o especialista, ainda que a medida não seja adotada, a discussão evidencia o cenário de oferta mais apertada no país.

"Isso mostra estoques mais enxutos, uma demanda crescente por etanol e duas safras de cana abaixo do potencial, cenário que ainda pode ser agravado pelo El Niño. Ao mesmo tempo, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro tendem a reduzir a competitividade das exportações para aquele mercado e podem aumentar a oferta disponível para outros destinos, fator que pode pressionar o mercado internacional."

Na avaliação de Bonifacio, apesar da volatilidade observada nas últimas sessões, os preços continuam refletindo mais as expectativas para a oferta mundial do que mudanças concretas nos fundamentos de curto prazo.

"Os preços seguem refletindo muito mais as expectativas para a oferta global e para o comportamento dos principais produtores do que mudanças efetivas nos fundamentos de curto prazo."
Mercado interno

No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco continuam oscilando no estado de São Paulo. Após avanços registrados nos últimos dias, acompanhando a recuperação das cotações internacionais, o mercado ainda busca uma direção mais consistente.

Segundo pesquisadores do Cepea, a volatilidade decorre das mudanças sucessivas em fatores conjunturais tanto no mercado doméstico quanto no internacional, dificultando a consolidação de uma tendência.
Ainda de acordo com o centro de pesquisas, a produção nacional segue atendendo à demanda interna e mantendo excedentes para exportação, favorecida pelas boas condições climáticas registradas até o momento para o desenvolvimento da safra.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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